Policial e entregador vão a juri popular pela morte de morador de rua no Santa Cruz

REPRODUÇÃO/MAPS: Morador de rua foi morto por PM em praça no bairro Santa Cruz, em fevereiro de 2014.

VIOLÊNCIA POLICIAL – O Ministério Público de Rio Preto denunciou nesta quarta-feira (14) o policial militar, Alexandre Mendes, por homicídio duplamente qualificado e o entregador de pizza, Adriano Rocha, sobre fraude processual, no assassinato do morador de rua Bruno Alves de Campos em fevereiro de 2014.

Promotor José Heitor dos Santos ofereceu a denúncia com base nas investigações, que apontaram o PM Alexandre como um dos participantes de uma reunião com os moradores e comerciantes do bairro, Santa Cruz, incomodados com a presença de pessoas em situação de rua na praça da ‘Figueira’.

Bruno Alves era dos que moravam no local e foi morto a tiros pelo agente de segurança do Estado. A promotoria entendeu que o policial usou de sua função para ameaçar e agir com violência desproporcional contra os homens no intuito de garantir a ordem e a segurança do local.

“Mandou que os quatro rapazes saíssem da praça e, ao mesmo tempo recolheu seus pertences pessoais amontoou-os no meio da praça e ateou fogo”. Em declaração o promotor Heitor Santos.

Para o MP foi comprovado o abuso de autoridade, além da tentativa de impedir a liberdade e locomoção das vítimas. Ainda no mesmo dia Bruno decidiu ficar na praça e revidou as agressões do policial atirando pedras contra ele, causando ferimentos nas costas e joelho esquerdo.

Houve uma perseguição com tiros ao alto até que Bruno foi rendido e morto com disparo na cabeça. Após o crime Alexandre foi até a pizzaria onde trabalha o entregador Adriano Rocha, pediu o celular dele para chamar a Polícia informando que houve uma morte decorrente de resistência à prisão.

“Nenhum deles estavam cometendo qualquer ato ilícito no local, logo não estavam obrigados a deixar a praça pública, de onde foram literalmente expulsos”. Disse o promotor.

Naquela noite ainda, o réu conseguiu uma faca e colocou perto do corpo de Bruno, passando alegar no processo legítima defesa. Em depoimento à Justiça Adriano contou que ‘viu que havia um homem caído ao chão e com uma faca ao lado de sua mão’.

A história foi desmentida por testemunhas, inclusive uma jornalista que estava próxima ao local dos fatos, Bruno não estava armado, ele vestia naquela noite uma bermuda e estava sem camisa. O PM também será julgado por destruição de coisa alheia, disparo de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Defesa entrou com recurso depois que a Justiça aceitou a queixa do Ministério Público, mas teve o pedido negado, ainda não foi marcada audiência de julgamento dos acusados.

DA REPORTAGEM:

Colaborou: Guilherme Ramos, às 17h04.

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