Policiais militares são acusados de atear fogo em moradores de rua em Rio Preto

Pms são acusados de tentarem expulsar os moradores de rua de forma truculenta (Foto: Cláudio Lahos)

Um casal de moradores de rua procurou a Polícia Civil de Rio Preto para denunciar três policiais militares por abuso de autoridade. Segundo informações do boletim de ocorrência registrado na tarde da última quarta-feira, no 3º Distrito Policial, Ayres Maycon de Lima Ribeiro, 37, e a mulher Adriana de Oliveira Gomes, 39, estavam dormindo debaixo do viaduto na rua João Mesquita, na região central da cidade, quando foram abordados por três policiais militares que, violentamente, tentaram expulsar o casal do local. Ribeiro e Adriana foram encaminhados para realizar exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

De acordo com o relato das vítimas no documento, os policiais, que usavam bicicletas, atearam fogo nos pertences do casal. As chamas atingiram partes do corpo de Adriana, que está grávida de cinco meses. No depoimento, Ribeiro afirma que a companheira dormia profundamente por consequência do uso de medicação controlada. O fogo destruiu todo o medicamento, além de documentos, bolsa, roupas, calçados, mantas e diversos apetrechos. Uma perícia foi requisitada no local.

À Polícia Civil, as vítimas afirmaram que estão em condições de reconhecer os agressores. “Adriana estava lúcida durante o depoimento. Ela e o marido estavam dispostos a denunciar o caso e afirmaram conhecer os policiais”, declarou o delegado Renato Pupo, do 3º DP.

Ainda de acordo com a denúncia, os policiais apontados como agressores trabalham na Base Comunitária, no Calçadão. “Requisitei a lista com os nomes de todos os policiais que trabalharam ontem naquela área. Quando tiver acesso, as vítimas serão procuradas para fazer o reconhecimento”, acrescentou Pupo.

O caso foi encaminhado para o 1º Distrito Policial rio-pretense. Segundo o delegado Julio Cézar Simões Pesquero, um inquérito será instaurado. “Vamos investigar o caso. Por se tratar de moradores de rua, a dificuldade é encontrar essas pessoas que podem, inclusive, sair da cidade. Mas tudo será apurado para saber as circunstâncias, o que provocou esse crime”, disse.

Se for comprovado, os autores devem responder por abuso de autoridade, lesão corporal, dano e incêndio.

A assessoria de comunicação da Secretaria de Assistência Social do município informou que está apurando se o casal procurou atendimento na unidade. Atualmente, 789 pessoas em situação de rua são assistidas no local.

Outro lado

A reportagem do DHOJE Interior solicitou pronunciamento da Polícia Militar a respeito da denúncia. Em nota, a instituição informou que está apurando o caso e que vai se pronunciar à imprensa assim que confirmar os fatos.

Por Karolina GRANCHI  

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