Palestra debate sobre transexualidade

RIO PRETO - Para fazer a cirurgia, a pessoa precisa passar por um acompanhamento de dois anos com psicólogos e psiquiatras. Depois, começa ser aplicado os hormônios sexuais

Unimed promove palestra para explicar questões sobre transexualidade. Conheça a história de Marcella, que virou Murillo (foto) e diz se amar mais assim.

O auxiliar administrativo e transgênero Murilo Afonso Siqueira Faria, 25 anos, está se preparando para a retirada da mama desde janeiro. Ele nasceu mulher, mas logo na infância percebeu que gostava de pessoa do mesmo sexo. Aos sete anos, sua mãe buscou acompanhamento porque percebeu a escolha da filha, mas mesmo assim não adiantou.

“Desde pequeno eu já sabia a minha diferença, mas no começo tudo ainda era confuso. Depois tive dificuldades de me entender e explicar isso para família e amigos”, afirma.

Segundo ela, como a mãe já tinha percebido a diferença da opção sexual, não foi tão difícil se assumir. “Ela já sabia. Então, só quando resolvi fazer a mudança total de sexo, comecei a cortar o meu cabelo curto e me vestir um pouco como homem. Hoje, praticamente só visto trajes masculinos.”

Afonso, como gosta de ser chamado, já fez toda a mudança de documentos e toma hormônios masculinos. Ele afirma que foi muito grato pelo corpo que a “Marcella” suportou durante muitos anos, mas hoje nasceu outra pessoa. “Um novo corpo, com um novo nome e um novo pensamento.”

Diferença em palestra
Para tentar mostrar as questões ligadas à transexualidade e explicar a diferença de cada um, a Unimed promove, hoje, o “Workshop Transformação Social – O primeiro tratamento é o respeito”, com objetivo de debater e sensibilizar os colaboradores sobre o assunto.

Segundo a instituição, ainda hoje, muitos transgêneros têm experiências ruins em ambiente médico-hospitalar e com prestadores de serviços de saúde. Discriminação em hospitais, clínicas e consultórios de todo país faz com que pessoas transexuais adiem consultas ou mesmo evitem tratamentos, muitas vezes colocando a saúde em risco.

“Estamos dando os primeiros passos para uma transformação da sociedade baseada em educação, reconhecimento, inclusão e respeito”, afirma o presidente da Unimed Rio Preto, Miguel Zerati Filho.

O principal responsável pela palestra é o urologista Carlos Abib Cury, especialista no assunto e que já realizou 120 cirurgias de mudança de sexo. Autor do livro “Transexualidade da Mitologia à Cirurgia”.

“Vou explicar aos leigos a diferença de cada um, pois existe o homossexual, o bissexual, os trânsgêneros, os travestis e os transexuais. Tudo tem diferença. É importante saber isso e buscar respeitar essas opções”, afirma.

Segundo ele, em Rio Preto de cada 30 mil habitantes, 1 faz mudança de mulher para homem. Enquanto de homem para mulher é 1 para cada 12 mil habitantes.

O encontro, que será realizado a partir das 19h30, no Auditório Mário Furquim, avenida Bady Bassitt, 3877, terá a presença do coordenador nacional do Instituto Brasileiro de Transmasculinidade – IBRAT, Lam Matos, o neurologista e diretor-técnico de recursos próprios da Unimed Rio Preto, Fulvio Rogério Garcia, e a psicóloga coordenadora do Ambulatório para Travestis e Transexuais do Grupo de Amparo ao Doente de Aids – GADA, Rita Romero, participam de bate-papo em formato talk show sobre o tema, comandado pelo jornalista Jean Lourenço.

 

Por Franklin Catan

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS