Pacientes que passam por diálise participam de encontro no HB

O Hospital de Base promoveu na manhã de hoje o 2º Encontro da Unidade de Saúde, que reuniu a equipe médica do hospital e 53 pacientes que atualmente fazem diálise peritoneal em casa, número que dobrou em relação aos últimos anos. O evento serviu para troca de informações e experiências.

Na diálise peritoneal o paciente pode fazer o procedimento em casa, inclusive enquanto dorme, facilitando e não tendo a necessidade de ir até o hospital para fazer o tratamento na máquina por quatro horas, três vezes na semana. De acordo com a médica nefrologista Neide Murari, o intuito também é fazer uma reciclagem dos pacientes que fazem a diálise, para reforçar as técnicas que devem ser seguidas durante a execução do procedimento. “São pacientes que fazem diálise em casa e vêm uma vez por mês no ambulatório para a gente ajustar a diálise. É uma reciclagem, porque eles fazem o treinamento no início do tratamento e como ficam um bom tempo sem retornar, a gente coloca todos os pacientes para fazer essa reciclagem”, comentou Murari.

Com a possibilidade de o tratamento ser feito em casa, a médica afirma que ajuda a descongestionar o setor de diálise do HB, que diariamente recebe aproximadamente 300 pacientes. “O tratamento é diário, então todos os dias eles estão fazendo a limpeza do sangue e possibilita a permanência dentro de casa, fora do hospital. Isso desafoga o hospital, porque tem um número de máquinas, se estiverem todas ocupadas, vai ficar fora de tratamento”, disse.

Devido à hipertensão, o mestre de obras Saint Clair Roberto da Silva depende há um ano da diálise peritoneal, feita em casa. Para resolver a situação, agora ele depende de um transplante de rim. Ele comenta que faz o procedimento enquanto dorme. “Dá pra fazer sozinho, mas a minha esposa me ajuda também. Faço toda noite, cerca de 9 a 10 horas por noite. Não sinto nenhum incomodo e vou trabalhar normal no outro dia. Quem faz (tratamento) aqui no hospital acha que é melhor, mas não é. Você tem que sair de casa todo dia para vir aqui”, contou.

Com cinco meses de gravidez, Ana Maria Cavalcante de Freitas descobriu que o filho Guilherme Henrique Cavalcante, hoje com dois anos, teria insuficiência renal. O parto precisou ser antecipado e foi feito aos sete meses. Hoje o pequeno Guilherme faz a diálise em casa, enquanto aguarda alcançar o peso ideal para poder fazer um transplante. A mãe afirma que o dia a dia do tratamento em casa é algo tranquilo. “É muito bom, porque é cômodo e não tem que sair e vir pro hospital todo dia. A gente faz a noite quando ele está dormindo”. As máquinas e todo o tratamento de diálise peritoneal são cedidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de forma gratuita a todos os pacientes.

Saiba Mais

Diálise é o nome que se dá a um procedimento que remove as substâncias tóxicas, o excesso de água e os sais minerais que ficam retidos em nosso corpo quando os rins param de funcionar. É uma Terapia Renal Substitutiva. Existem dois tipos de diálise: a diálise peritoneal e a hemodiálise.

Na Diálise Peritoneal, é colocado um cateter, via procedimento cirúrgico, no abdome inferior, próximo ao umbigo. Durante as sessões, administra-se uma solução aquosa semelhante ao plasma sanguíneo. A membrana peritoneal que reveste toda a cavidade abdominal do nosso corpo absorve as toxinas para filtrar o sangue. Cada vez que uma solução nova é colocada dentro do abdômen e entra em contato com o peritônio, ele passa para a solução todos os tóxicos que devem ser retirados do organismo, realizando a função de filtração, equivalente ao rim.

Por Priscila CARVALHO

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