Pacientes com queimaduras ‘peregrinam’ em busca de atendimento em Rio Preto

Hospital de Base busca captar recursos para construir ala

Estima-se que cerca de dois milhões de pessoas ao ano sofram algum tipo de queimadura no Brasil. Algumas delas necessitam de assistência nas Unidades de Terapia Intensiva que em algumas instituições de saúde são projetadas para atender especificamente esse grupo de pacientes – Centros de Referência em Queimados.

Em Rio Preto, esses pacientes são acolhidos de forma emergencial, já que a cidade não possui credenciamento para tratar estas pessoas. De acordo com dados do Hospital de Base (HB), entre 2016 e 2018, cerca de 486 pessoas foram atendidas na instituição, vítimas de queimaduras. Em média, o HB recebe cerca de 20 pacientes por mês.

As vítimas com maior complexidade recebem os primeiros atendimentos aqui e após o atendimento de emergência são encaminhadas às instituições especializadas (Catanduva, Bauru e Marília, na maioria dos casos).

Em novembro do ano passado, o HB recebeu uma doação no valor de R$ 1 milhão do grupo Tereos, segunda maior produtora de açúcar do mundo, que será usado como parte do projeto de instalação de um centro de tratamento especializado em vítimas de queimaduras graves.

Na época, o HB afirmou que a doação vai permitir a adequação de uma área de 805 m², localizada no 1º andar do Bloco D. O projeto prevê a aquisição de equipamentos, a instalação de consultórios ambulatoriais e toda a estrutura para a recuperação dos pacientes.

Com apenas a doação de R$ 1 milhão, a assessoria de imprensa do hospital informou que a Fundação busca, no momento, captar os R$ 7,4 milhões na sua totalidade, valor necessário para a construção da ala. Enquanto as doações e os recursos não forem destinados, o projeto que pode ajudar a salvar vidas em Rio Preto continua parado.

Por falta de atendimento especializado, na última segunda-feira, dia 13, um funcionário da Santa Casa de Rio Preto procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, já que a instituição não possui material para tratar um paciente de 53 anos, vítima de queimaduras.

No documento policial, o funcionário disse que foi orientado pela equipe médica a procurar a polícia para relatar o problema. Segundo o colaborador da Santa Casa, a vítima precisava de enxerto de pele, atendimento que não é oferecido em Rio Preto. O paciente foi transferido para o hospital Padre Albino, em Catanduva.

Sobre as pesquisas sobre a incorporação de pele de Tilápia para tratar queimados, a assessoria do HB disse que trata-se de um tratamento experimental usado somente nas universidades que participam do estudo. A Famerp não faz parte deste grupo de estudos.

Por Jaqueline BARROS

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