Outubro Rosa: força e superação caminham lado a lado

“Eu vou falar uma coisa, eu não sou forte. Eu estou forte. Eu prefiro acreditar que eu vou vencer” (FOTO GUILHERME BATISTA)

É a vida, a gente precisa enfrentar a situação. Quando a gente conhece alguém que tem pelo menos 10 de anos de cura, nós temos uma esperança muito grande. Quando eu terminar o tratamento, eu quero ajudar todo mundo, comenta paciente

Outubro é um mês importante para a saúde da mulher. Nesta data, é comemorado o Outubro Rosa, para alertar as mulheres sobre a preservação do câncer de mama.

Processo
Thaissa Dauda Faria é mastologista do Centro de Atendimento Especializado da Saúde na Mulher, em Rio Preto. Ela comenta que, geralmente, quando a mulher chega ao centro, já foi detectada alguma alteração em exame realizado em uma unidade de saúde. Para confirmar as suspeitas, a mulher passa por uma biópsia, que é por onde a paciente tem o diagnóstico.

Após o diagnóstico, a paciente é encaminhada para o tratamento, que é feito na Santa Casa de cidade. Os tratamentos são individualizados. Tem paciente que precisa passar por diferentes cirurgias. “A gente encaminha para o tratamento, lá eles já avaliam a necessidade do tratamento cirúrgico ou se vai ser necessário o tratamento clínico antes. Na maioria dos casos acaba sendo feito primeiro a cirurgia”, comenta.

O pós-tratamento influência bastante, principalmente quando a mulher é mastectomizada e não é possível no momento cirúrgico fazer a reconstrução. A quimioterapia é uma fase que mexe com o psicológico, principalmente devida à queda de cabelo.

A doutora comenta a importância de se de fazer o exame de prevenção. “Não deixar para lembrar só em outubro. Lembrar que é preciso pensar no exame durante o ano todo. E não ficar postergando o tempo de exame. E sempre procurar quando perceber alguma alteração, pois muitas mulheres percebem a alteração e, com medo. Precisa ir atrás, pois é aí que está a chance da cura”, aconselha.

Histórias
Deusiani Nascimento Fernandes está passando pelo tratamento. Há 15 dias, a dona de casa fez a cirurgia de retirada do câncer. Ainda precisa fazer os próximos exames, mas comenta que não é fácil o processo. “Eu vou falar uma coisa, eu não sou forte. Eu estou forte. Eu prefiro acreditar que eu vou vencer. Os sonhos da gente ficam um pouco de lado. Eu falo que até a gente sonha, mas a gente não planeja. Eu particularmente prefiro não sonhar agora. Eu quero ver o resultado para eu recomeçar”, comenta.

Deusiani, de 45 anos, teve o diagnóstico do câncer em 2017, em um exame de rotina. Ela comenta que fez o exame e descobriu a doença quando teve o retorno com a ginecologista quase dois meses depois da mamografia. Ela comenta que jamais pensou que poderia ter o câncer, pois ainda não tinha tido nenhum caso na família. Por contado isso, ela alerta sobre a necessidade de sempre fazer o exame.

“Eu quero falar para as mulheres se cuidarem mais, mesmo que não tenha caso na família. às vezes, a gente acha que não tem caso na família, então a gente pensa que nunca vai ter. Mas eu falo por experiência, tem que se cuidar todos os anos”.

A dona de casa é uma pessoa muito contagiante e alegre. Apesar de se mostrar forte, Deusiani comenta que no início não foi o processo fácil. Não chegou a cair em depressão, embora tivesse alguns sintomas. Para ela o fortalecimento está vindo da família, grupos de apoio e amigos.

“É a vida, a gente precisa enfrentar a situação. Quando conhece alguém que tem pelo menos 10 de anos de cura, nós temos uma esperança muito grande. Quando eu terminar o tratamento, eu quero ajudar todo mundo. Eu nunca vou sair do grupo de câncer, pois eu quero ajudar as outras pessoas a passar pelo tratamento”, comenta.

Edna Rodrigues Gazoni é um dos exemplos de mulheres que venceram a doença. A costureira, de 48 anos, foi diagnostica com o câncer de mama em 2012, depois de passar por um exame de rotina. Por sempre estar fazendo a prevenção, ela descobriu a doença no estágio inicial, tanto que o tumor era pequeno, tinha seis milímetros.

Gazoni se viu curada em 2013, depois de passar por um tratamento de nove mesmo. Ela conta que precisou passar por seis sessões de quimioterapia, 40 de radioterapia. Diz ainda que o tratamento foi um período bem complicado. No começo, teve dificuldade para aceitar, mas conseguiu se fortalecer com fé em Deus e com a ajuda da família. Quando descobriu a cura, ela se sentiu a pessoa mais feliz do mundo.

“Quando eu fiz os últimos exames e o médico disse que eu poderia se considerar curada, foi a melhor alegria do mundo. Vi que minha vida ia voltar ao normal. A alegria foi melhor, pois a melhor coisa do mundo é viver”, comenta a costureira. Conteúdo especial: Leandro BRITO.

Da REPORTAGEM

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