Operação da PF investiga policiais militares em esquema de propina

Um ex-policial rodoviário foi detido em sua residência por agentes da Polícia Federal

A terceira fase da Operação Nepsis, deflagrada na manhã de ontem (10), em Rio Preto, resultou no cumprimento de dois mandados de busca e apreensão na cidade, expedidos pela 2ª Vara Federal de Ponta Porã (MS).

De acordo com a Polícia Federal, agentes estiveram na casa de um ex-policial rodoviário rio-pretense para checar sua participação em um suposto grupo de policiais que permitia o escoamento de cigarros contrabandeados do Paraguai por rodovias paulistas.

O suspeito, que já foi expulso da corporação, é investigado por obter vantagens indevidas em negociações que variavam entre R$ 70 mil e R$ 120 mil por mês.

Nas primeiras fases da Operação Nepsis, deflagradas em setembro do ano passado, mais de 35 policiais militares de Mato Grosso do Sul foram presos por envolvimento com o contrabando de cigarros vindo do Paraguai.

A organização começou a ser desmantelada após a apreensão de celulares dos envolvidos. Os suspeitos formaram uma espécie de consórcio de grandes contrabandistas, com a criação de uma sofisticada rede de escoamento de cigarros contrabandeados, a qual se estruturava em dois pilares: um sistema logístico de características empresariais e ainda a corrupção de policiais cooptados para participar do estratagema criminoso.

Os envolvidos responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de corrupção (ativa e passiva), tráfico de influência e formação de organização criminosa.

Segundo a mitologia grega, Nepsis significa vigilância interior, estado mental de atenção plena. A operação foi assim batizada em alusão à vigilância necessária para se combater as sofisticadas atividades criminosas ligadas ao contrabando e à vigilância em relação à própria atividade de fiscalização estatal para conter a corrupção de servidores públicos.

Por Jaqueline BARROS

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