Onça pintada vive há mais de 20 anos no zoológico de Rio Preto

Foto: Bia Menegildo

Com cerca de 30 anos, Diana pode ser a onça pintada mais velha a morar em um zoológico

Um dos animais mais importantes do cerrado e da mata atlântica é a onça-pintada, que está ameaçada de extinção. Uma espécie de referência, onde o número elevado de indivíduos revela que o ecossistema está saudável.

O maior felino das Américas está no topo da cadeia alimentar, podendo chegar a 135 kg, e é importantíssimo para o equilíbrio da floresta. É um animal robusto, com grande força muscular que necessita de grande quantidade de alimento e fartas áreas de mata preservada para sobreviver.

Ao mesmo tempo temido e admirado, habita o imaginário das pessoas. É considerado pelos pesquisadores um indicador de qualidade ambiental. A ocorrência desses felinos em uma determinada região indica que o local ainda oferece boas condições, que permitam a sua sobrevivência.

Esses animais vão para os centros de conservação e zoológicos quando acabam se envolvendo de alguma forma com os humanos. Seja por invadir algum espaço urbano ou depois de serem abandonados pela mãe na natureza, os animais acabam sendo tirados de seu habitat natural e precisam se adaptar a novas condições de vida.

Essas novas condições não é nada fácil para o organismo dos animais silvestres. No caso das onças pintadas, o tempo de vida na natureza é de, em média, 15 anos. A partir dessa idade, os reflexos já vão diminuindo e a tão famosa agilidade felina começa a falhar.

Com Diana, uma onça parda idosa que vive no zoológico de Rio Preto, a situação foi um pouco diferente. Resgatada da natureza, já chegou adulta e depois de já ter tido pelo menos uma ninhada de filhote. “Nós estimamos que ela tenha em torno de 25 a 30 anos. No entanto, os animais sentem os efeitos da idade bem antes dos seres humanos, por isso vivem menos. Se for considerar o efeito do tempo nos humanos, podemos estimar que a Diana seria uma senhora idosa, com cerca de 100 anos”, explicou o médico veterinário Ciro Cruvinel, gestor do zoológico e responsável pelos cuidados com a onça pintada.

Ciro explicou que Diana já está cega dos dois olhos e tem grande dificuldade para se locomover. “Diana foi diagnosticada com um grave comprometimento nas articulações, devido a idade avançada e foi tirada da exposição ao público há oito meses, pois precisava de cuidados especiais. Ela está cega por conta de um glaucoma e necessita de avaliação diária, além de tomar remédios para aliviar as dores. Tudo isso são sintomas da idade avançada”.

A onça idosa é alimentada com carne bovina e suplementos vitamínicos e minerais para garantir o bom funcionamento do organismo. Também passa por exames periódicos, que já demonstram que os rins e o fígado não funcionam muito bem, além de ter sido diagnosticada com osteoporose.

“O quadro clínico da Diana é estável. Ela está recebendo tratamento pelas doenças que já foram diagnosticadas e suplemento vitamínico para garantir mais resistência ao organismo. Ela está tão saudável que, até o momento, não foi diagnosticada diabetes”, explicou o veterinário.

O diabetes, quando não tratado em humanos e animais, pode ter consequências como problemas com a coagulação sanguínea, que leva a problemas na cicatrização. Também pode causar danos nos nervos periféricos sensitivos, com perda da sensibilidade, e levar o animal a se machucar e não sentir, a ponto de perceberem alguma inflamação já no seu estado avançado, podendo levar até mesmo à amputação de membros. Nesses casos, a probabilidade de ocorrer doenças na boca e nas gengivas também aumenta.

Ciro Cruvinel também explicou que, em casos de animais idosos, para evitar que sofram principalmente com dores crônicas, é aconselhável a eutanásia, no entanto, esse não é o caso de Diana. “Nós fazemos exames periódicos e podemos constatar que, apesar de todos os problemas relacionados à idade, Diana é extremamente saudável. Não há motivos para sugerir a eutanásia no momento. A previsão é que ela viva ainda por bastante tempo, se não contrair nenhuma doença”.

Apesar dos esforços de todos os profissionais do zoológico, não há previsão para que Diana volte a ficar em uma jaula comum, em exposição ao público. A jaula onde ela permanece tem todas as condições para que o tratamento seja realizado de forma adequada.

Por Bia MENEGILDO

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