O ‘velho’ como se fosse ‘novo

Waldemir Soares JÚNIOR *

A gestão de terras no Brasil passa por um momento delicado, para não dizer desesperador. Razões não faltam para questionar os indicados por Jair Bolsonaro. Elas vão desde a competência técnica a moral.

O ministro Ricardo Salles foi condenado em dezembro de 2019 por improbidade administrativa em Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de São Paulo. Os fatos ocorridos na gestão Geraldo Alckmin são relacionados ao Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê em 2016. Salles recorre da decisão condenatória. Mas e a moral?

Bolsonaro foi eleito democraticamente com a consigna ‘nova politica’. Não é o que vemos na atualidade. Salles foi acusado e condenado por improbidade durante sua estada na Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo. Mesmo assim, Bolsonaro o leva para o Ministério do Meio Ambiente. Logo, o presidente aprovou seu currículo.

Longe de fazer um juízo de mérito do ministro que tem as instâncias de recursos para analisar a denúncia do MP/SP. Mas o melhor a fazer seria o afastamento da gestão pública até o fim do processo.

Comandar a pasta do meio ambiente em nível federal com o peso de uma condenação por improbidade administrativa nas costas, não parece o melhor para a governança pública. Se essa é a nova política de Bolsonaro, estamos diametralmente em lados opostos. Não só na questão ideológica. Já que isso deixo claro: discordo de sua ideologia. Mas também no fato de não confundir o ‘novo’ com o ‘velho’.

*Advogado com experiência e atuação em Direito Agrário, Ambiental e Penal

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