“O que eu fiz da minha vida”, diz jovem após acidente de trem

Foto- Claudio Lahos

Era tarde de terça-feira (15), quando o jovem Izac Izaqueu Teodoro de Freitas, de 14 anos, teve o braço decepado por vagões de trem. O adolescente estava acompanhado de dois amigos, todos queriam, apenas, aproveitar o dia na lagoa do Parque Setorial de Rio Preto, porém, a alegria de uma tarde ensolarada foi interrompida pelo grave acidente.

“Nós fomos para lá juntos, ele [Izac] tinha falado que nesta praça havia uma lagoa e nos chamou para ir até lá nadar, mas quando chegamos a água não estava num estado bom para nadar. Então ficamos  conversando, daí o Izac disse que iria pegar ‘beirão’ com o trem e afirmou ainda que sabia todos os horários que o trem passava. O Lucas e eu avisamos para ele não fazer isso, mas ele disse que iria mesmo assim”, explica a amiga Raissa Gabrielli dos Santos Souza.

“O trem como a passar e nós ficamos vendo, o Izac  subiu a passarela sozinho e nós ficamos no banco olhando os vagões passando. Aparentemente, o trem estava devagar, o Izac queria subir naquela escadinha lateral do vagão”, conta o amigo Lucas Otávio Souza da Cunha.

Quando percebi que ele não desistia da ideia, fui até lá vê-lo. “Ele falou que queria pegar o final do trem, quando faltavam quatro vagões para acabar ele foi tentar pular na escadinha, ele chegou a encostar nela, mas não aguentou a pressão,  escorregou e caiu no trilho, daí foi quando o trem passou em cima dele e em seguida ele saiu rolando no barranco”, conta a amiga.

“A Raissa começou a gritar, eu pensei que fosse brincadeira, mas quando ele levantou e foi descendo a passarela, só com o coro do braço pendurado, neste momento vi a gravidade da situação”, afirma Cunha.

O funcionário de uma obra próxima ao local voltava para casa, quando viu o desespero dos jovens e tentou ajuda-los. “O menino estava descendo a rampa, eu perguntei o que havia acontecido, daí ele disse que queria pegar uma carona com o trem. O braço dele ficou caído próximo aos trilhos, eu subi, peguei o braço e esperamos a ambulância com os policiais”, Uilson Jesus Martins.

“Quando conversamos com ele, a única coisa que ele dizia era ‘o que eu fiz da minha vida’ e tentava ser forte mesmo com tamanha dor”, conta a amiga.

Os jovens discaram para o 190, mas as chamadas não eram completadas, foi quando avistaram uma viatura da Polícia Militar a poucos metros do local e pediram ajuda. “Vieram os primeiros policiais, depois chegou mais viaturas, porém, o SAMU demorou em média 40 minutos para chegar. O menino chorando de dor, enquanto isso o policial fez os primeiros socorros, utilizou uma luva que estava na viatura e fez o estancamento no ferimento”, conta o amigo.

A mãe de Izac,  ReginaTeodoro Bordin de Freitas estava no trabalho no momento do acidente, mas disse ao menino para não sair de casa, pois estava com um mal pressentimento desde as primeiras horas do dia. “Naquele dia eu tive um pressentimento ruim, não sei explicar, mas olhava para ele e sentia um aperto. Na hora do meu almoço, saí do meu serviço e fui até minha casa para vê-lo, disse a ele novamente para que não saísse de casa, porque havia sentido de novo o mal estar, o coração apertava. No meu trabalho eu não fiquei bem durante todo o dia. Quando foi no fim da tarde chegaram os policiais e os colegas dele para me avisar sobre o ocorrido”, lamenta a mãe.

Izac continua internado no Hospital da Criança e Maternidade de Rio Preto, passou por cirurgia e segue na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave.

Em nota a Rumo Logística disse que não houve parada da composição. “A concessionária informa que não houve registro de ocorrência ou parada de composição no local. Isso pode ocorrer quando o maquinista não tem ciência ou não é informado sobre um acidente no momento que acontece, uma vez que um trem chega a medir aproximadamente 1,5 km de comprimento. Além disso, pegar carona nos trens é uma atividade irregular, com risco de morte”.

Por Mariane DIAS

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