Nunca é tarde para amar

O casal Davi e Aline e os filhos Lucas e Luan

Os irmãos Lucas Munhol De Martini, 7, e Luan Munhol De Martini, 6, foram abandonados pelos pais biológicos. Na época e ainda muito pequenos, os familiares das crianças não quiserem adotá-los. Após a rejeição, os irmãos foram levados para um abrigo na cidade natal no Mato Grosso do Sul.

A mais de 600 quilômetros, precisamente na cidade de Rio Preto, no ano de 2015, o casal Aline Munhol De Martini e Davi De Martini Junior entrava na fila de adoção. O sonho era um só. “Mesmo sem te conhecer, mesmo sem saber quem você é, como você é, a gente já te ama. E tenha certeza que a gente vai te amar para o resto da nossa vida”, mensagem gravada por Davi enquanto aguardava a adoção.

O casal não impôs restrições quanto ao perfil da criança e a boa notícia chegou em dobro, em novembro de 2016. “Tentei engravidar, não consegui e aí eu fui ver questão de fertilização, mas não quis fazer. Daí já parti para a adoção. Estou há 14 anos casada, nós ficamos cerca de dois anos na fila de adoção, o meu cadastro era aberto, ou seja, é de criança de 0 a 7 anos grupo de dois irmãos. O Lucas tinha 5 anos e Luan 3 anos quando chegaram. Então já era considerada adoção tardia”, recorda Aline.

Segundo a Vara da Infância e Juventude de Rio Preto, a cidade possui 162 casais habilitados, deste total, 34 estabeleceram perfil para crianças de 6 a 9 anos. Um casal apenas adotaria adolescente com idade de 12 anos do sexo masculino. Quatro casais adotariam crianças com problemas de saúde. Ainda de acordo com a Vara da Infância, a preferência ainda é por crianças de 0 a 3 anos.

Há crianças e adolescentes disponíveis à adoção no Programa Teia, com processos em andamento na Vara da Infância. Alguns processos com determinação para indicação de família substituta e outros em fase de conclusão: 13 entre crianças e adolescentes, sendo sete do sexo feminino entre 2 e 12 anos e seis do sexo masculino, com idades entre um e 13 anos. Dos 13 menores, duas adolescentes não concordam e não vislumbram a colocação em família substituta.

Na última terça-feira (21), a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse que o governo deve lançar, até o segundo semestre, uma campanha de incentivo à adoção de crianças e adolescentes, com foco na adoção tardia.

A ministra informou ainda que o governo estuda mandar para o Congresso um projeto de lei para promover mudanças na Lei da Adoção. Houve modificações em 2017, na Lei, mas ainda é questionada a morosidade e burocracia.

Atualmente, a legislação determina, entre outros pontos, que a reavaliação da situação das crianças em programa de acolhimento familiar ou institucional ocorra de três em três meses. Além disso, é estabelecido o prazo de um mês sem contato da família para que recém-nascidos e crianças sejam incluídos no cadastro de adoção. O desejo da ministra Damares é fazer com que todo o procedimento dure nove meses, em uma alusão ao tempo de uma gestação.

“Quando a pessoa quer ser mãe há uma idealização do bebê. A maioria dos casais acha que tem que ser bebê para conseguir dar uma educação ou então formar o psique da criança, ver andar, falar e comer. Nós que acabamos fazendo tudo, eu acordava de madrugada, eu ensinei cada filho a comer, a falar, a vestir, a ter higiene pessoal . Isso no começo é muito conflitante, é muito difícil a educação no dia a dia. Mas eles aprendem muito e são crianças muito amorosas”, afirma Aline Munhol.

A mãe destaca ainda que “a adoção deve ser feita com aquilo que cabe na sua casa. Então é uma decisão para o resto da vida e tem que tocar no coração do casal. Se cabe um bebê adote um bebê, se cabe uma criança maior adote uma criança maior, se cabe adolescente adote um adolescente”.

Segundo Aline, “ser mãe é inexplicável, a maternidade traz para gente algo que não tem explicação é divino. O amor, o companheirismo, essa parte fraternal se torna muito mais acolhedora, tem muito mais empatia. A maternidade, na questão da adoção você vivencia muito mais situações conflitantes, situações diferentes. É muito legal a experiência. Não me vejo antes das crianças, parece que eles sempre estiveram conosco”.

Adoção Tardia: Novo Olhar, Novo Sorriso

A Vara da Infância e Juventude e o Núcleo de Justiça Restaurativa da Comarca de Rio Preto – Tribunal de Justiça de São Paulo, em parceria com a Universidade Paulista e CMDCA promovem, no dia 7 de junho, no auditório da Unip, o seminário Adoção Tardia: Novo Olhar, Novo Sorriso.

No evento serão abordados os temas: Panorama sobre o Acolhimento Institucional em Rio Preto, Aspectos Legais da Adoção, Aspectos Psicossociais da Adoção Tardia e Experiências Vivenciais da Adoção Tardia – Relatos de Casos.

O evento é gratuito e as inscrições seguem até o dia 3 de junho. Informações pelo telefone: (17) 3227-6518.

Por Mariane DIAS

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