Novo reajuste do Bolsa Família não dá para comprar um pacote de arroz 5 kg

Programa social do governo, Bolsa Família sofrerá reajuste; em Rio Preto são mais de nove mil beneficiados

Anunciado pelo governo federal nesta sexta-feira (1º), o novo reajuste de 5,67% no valor do benefício do Bolsa Família não garante a compra de um pacote de arroz 5 kg, em Rio Preto, que, atualmente, tem 9.627 famílias beneficiadas com o programa

Com o preço mais barato, encontrado pela reportagem, de R$ 7,98, a baiana Leilyka Rubya, 32 anos, mãe de três filhos, que mora no bairro Solo Sagrado, em Rio Preto, há um ano, por exemplo, não consegue realizar a compra do produto com o novo reajuste.

Há quatro anos recebendo o Bolsa Família, Leilyka Rubya começou ganhando R$ 105,00 e atualmente recebe a cota de R$ 117,00, que, com o novo aumento, passará para R$ 123,63, ou seja, um aumento de R$ 6,63. “Me cadastrei por necessidade. Como tenho três filhos e nunca consegui um trabalho registrado, procurei fazer o cadastro e consegui ser beneficiada”, explicou ela.

Mesmo com o valor mínimo recebido, através do programa do governo, Rubya diz que a  ajuda é importante para cuidar dos filhos. “É pouco, realmente, mas ajuda em alguma coisa. Pago uma conta de energia, ou consigo comprar uma merenda para eles levarem para a escola. Como faço bico e não tenho trabalho, esse valor acaba sendo muito importante”, finalizou.

Ainda seguindo a pesquisa feita pela reportagem, o valor do reajuste para a moradora de Rio Preto, não possibilita a compra de um pacote de arroz 5 kg, mas permite ela comprar um kg de tomate (R$5,99), um kg de batata (R$3,98), dois pacotes de feijão de um kg (R$ 2,78), ou dois litros de leite (R$ 2,95).

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), com a nova alteração no valor do programa social, o valor para as famílias que recebem a cota cheia de R$ 177,71 passará para a quantia de R$ 187,79.

O reajuste autorizado para o programa é maior que a inflação acumulada de julho de 2016 a março de 2018, que foi 4,01%. Segundo o governo, a suplementação orçamentária para este ano, para cumprir o reajuste, será de R$ 684 milhões.

Como funciona o programa

O programa de transferência de renda atende famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza, com renda familiar mensal per capita de até R$ 178 e R$ 89 respectivamente.

Além da complementação de renda, o programa garante acesso a direitos como educação, saúde e assistência social, e articulação com outras ações visando o desenvolvimento das famílias beneficiárias.

As famílias interessadas em entrar no programa devem se inscrever no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal. O cadastramento pode ser feito nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) ou na gestão municipal do Bolsa Família e do Cadastro Único.

Atualmente, o programa transfere recursos a 13,7 milhões de famílias em todos os municípios do Brasil.

Por Marcelo Schaffauser

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