Novembro Dourado promove a conscientização sobre o câncer infantil

Nas horas vagas, Lyncon adora desenhar e passa o tempo no HCM desenhando personagens de anime

Muitas vezes o diagnóstico de um câncer é uma batalha muito árdua a se vencer na vida e para as crianças o embate também não dá trégua. Como forma de conscientização, desde 2008 no dia 23 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, também conhecido como Novembro Dourado. A doença é a que mais causa morte entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, sendo a leucemia o tipo mais comum nessa faixa etária, correspondendo a 30% de todos os tipos de câncer infantil.

Funcionando há dois anos, a parte oncológica infantil do Hospital da Criança e Maternidade de Rio Preto atualmente atende cerca de 150 pacientes, entre crianças e adolescentes, sendo que 50 estão em tratamento quimioterápico e os outros 100 já combateram a doença e permanecem com o tratamento de manutenção, para garantir a não reincidência do câncer. Para a psicóloga oncológica pediátrica do HCM, Jéssica Aires, é importante debater sobre o Novembro Dourado, pois pouco se é discutido sobre o tema. “Poucas pessoas falam de câncer infantil, então a ideia é justamente a conscientização e falar sobre essa problemática”, disse.

Dhoje Interior

Segundo Aires há três tipos mais comuns de câncer entre as crianças. “A gente tem dados de literatura que falam de três tipos mais comuns que são: as leucemias, os linfomas e os tumores de sistema nervoso central, os que mais aparecem na infância”. Entre as leucemias – câncer da medula óssea e do sangue –, a linfoide aguda está em primeiro lugar de ocorrência. Esse tipo de câncer progride rapidamente e precisa ser tratado assim que for diagnosticado. Não existem sinais específicos para sua identificação, o que chama a atenção é a persistência de sinais e sintomas comuns a outras doenças, tais como febre, dor abdominal, aumento de gânglios, que não melhoram com o tratamento habitual e que devem ser levados em consideração. “Com o diagnóstico precoce a taxa de cura pode chegar até a 80% nas leucemias. É muito importante que essa criança seja diagnosticada precocemente e encaminhada para um centro especializado de oncologia pediátrica”, afirmou Aires.

Diante de tal doença a família acaba desempenhando um papel fundamental com o apoio incondicional para a recuperação do paciente. “Quando a gente pensa em criança, a gente pensa num tratamento com a família toda”, comentou a psicóloga. Desde abril do ano passado a rotina familiar da técnica em enfermagem, Keila Soares da Silva, mudou completamente ao descobrir que o filho, na época com um ano e meio, estava com leucemia. Para o tratamento, Keila saiu do emprego e se dedicou totalmente aos cuidados do filho, que atualmente passa pelo tratamento de manutenção. “No começo pra gente foi bem difícil. É uma doença difícil de se tratar e passar pela complicação que ele teve foi mais difícil ainda. Por ele ter sido desenganado e hoje ele tá vivo e bem como está, é Deus em primeiro lugar”, ressaltou Silva.

Para o adolescente Lyncon Pereira da Silva de 14 anos, além da família, Deus também foi um dos grandes pontos de apoio, que lhe deram forças para superar a doença. Ele começou o tratamento da leucemia exatamente no aniversário dele do ano passado. Passados dois meses de tratamento, Lyncon foi curado e hoje recebe apenas o tratamento quimioterápico de manutenção. “No começo foi doloroso porque eu sabia que tinha um câncer. Eu pedi pra Deus e comecei a orar, Ele me deu forças e em dois meses de tratamento eu fui curado”. Para outras crianças que também estejam passando pela mesma situação, Lyncon deixa um recado. “Eu vou dar um conselho: orem bastante e não desistam do seu sonho. Peçam a Deus e agradeçam”, concluiu.

Por Priscila CARVALHO