Novas recomendações sobre o tratamento de dores lombares incluem exercícios e acupuntura

A maioria das pessoas irá ter um episódio de dor nas costas em algum momento das vidas. A lombalgia é uma das causas mais comuns de procura ao atendimento médico. Muitos de nós também acabam abusando do tratamento com remédios.

Esta semana o Colégio Americano de Médicos publicou novas diretrizes para o tratamento de lombalgias, recomendando antes o uso de exercícios, acupuntura, yoga ou massagem. É uma mudança e tanto para médicos e pacientes.

Para chegar a estas recomendações, os pesquisadores analisaram mais de 150 estudos avaliando o que funciona e o que não funciona quando se trata de dor lombar.

Segundo o Dr. Marcus Yu Bin Pai, médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a dor aguda lombar é geralmente de origem mecanopostural (ou muscular), que surge após uma distensão, sobrecarga mecânica ou postura inadequada, e não a dor ciática ou da hérnia de disco, que pode irradiar para as pernas, causando dormência e fraqueza, ou que surge após uma queda ou traumatismo grave.

Para o Dr. Marcus, a dor aguda geralmente desaparece por conta. “O corpo se ajusta, a inflamação diminui”, segundo o médico. Pode levar alguns dias ou mesmos poucas semanas, sendo raro os casos de dores que cronificam.

É preciso tomar cuidado com o abuso dos medicamentos, e os riscos dos efeitos colaterais da medicação, principalmente para populações em risco, como idosos e pacientes com lesões renais. Efeitos colaterais comuns podem incluir também gastrite, dores estomacais e aumento de pressão arterial

Em vez de usar medicamentos, as novas orientações sugerem técnicas não invasivas e não farmacológicas para acelerar o processo de cura, como massagem, acupuntura, calor local e manipulação vertebral, que podem relaxar os músculos, articulações e tendões, para que as pessoas se recuperem o mais rápido possível das dores nas costas.

Outras opções que podem ajudar incluem exercício, terapias mente-corpo, como yoga, tai chi, redução do estresse baseada em mindfulness e técnicas de relaxamento.

Para pacientes com dor crônica que não respondem a essas terapias não-medicamentosas, as diretrizes recomendam medicamentos para reduzir a inflamação, tais como o ibuprofeno e naproxeno, que são anti-inflamatórios não-esteroides.

De acordo com uma revisão sistemática publicada no conceituado Annals of Internal Medicine, o analgésico paracetamol já não deve mais ser recomendado para reduzir a dor ou inflamação da lombalgia. Segundo o estudo, em certos casos, relaxantes musculares podem ajudar a curto prazo

Se isso falhar, e a dor persistir, a próxima opção poderia incluir medicamentos para a dor neuropática ou medicamentos opióides. “Apenas em raras circunstâncias se usam opióides,” segundo o médico, “e os mesmos devem ser usados tanto na menor dose quanto no menor período possível”.

O médico Steven Atlas, um professor associado na Harvard Medical School, escreveu um editorial que acompanha as orientações. Ele descreve estas orientações como uma mudança necessária. “Estamos nos afastando de soluções simplistas como um tratamento medicamentoso isolado, para uma nova visão mais complexa que abrange mudanças de estilo de vida”, segundo ele, sendo uma grande mudança cultural.

As orientações foram publicadas no dia 13 de fevereiro nos Annals of Internal Medicine.

Website: http://www.hong.com.br

 

Da Redação

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