Nova data do Enem desagrada entidades estudantis e divide opiniões

O Ministério da Educação (MEC) anunciou na última quarta-feira (8) que as provas do Enem serão aplicadas em janeiro e fevereiro de 2021. Nos casos das provas impressas, a avaliação será nos dias 17 e 24 de janeiro para 5,7 milhões de inscritos. Já as provas digitais serão em 31 de janeiro e 7 de fevereiro para 96 mil inscritos.

Para a estudante Ana Elisa Santana, 18 anos, que fará a prova impressa, gostou da mudança. “Teremos um tempo um pouco maior do que o normal para que consigamos nos preparar. Além disso, essa data possibilita que haja a seleção dos estudantes para ingressarem nas universidades no primeiro semestre de 2021, o que não atrasaria tanto o início e a continuidade das atividades no ano que vem”, afirmou. Segundo o MEC, os resultados sairão a partir de 29 de março.

Dhoje Interior

Já para as entidades estudantis como a UNE (União Nacional dos Estudantes), Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG) e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) criticaram a decisão. “Fizemos a campanha pelo adiamento do Enem visando a situação dos alunos das escolas públicas, que devido às diferenças sociais estão enfrentando mais dificuldades nesta pandemia. Poderiam ter adiado mais pra frente”, comentou Eduarda de Souza, integrante da diretoria da UNE e da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas) de Rio Preto.

Outra reclamação foi pelo fato de o MEC não te respeitado o resultado da enquete promovida entre os inscritos para o Enem. O resultado da votação mostrou que 49,7% preferiam fazer a prova em maio de 2021, 35,3% em janeiro de 2021 e 15% em dezembro de 2020.

“A escolha feita pelo Ministério da Educação, de realizar a prova nos dias 17 e 24 de janeiro, demonstra que não existe um diálogo verdadeiramente democrático com os estudantes, profissionais da educação e saúde. Durante o período em que foi realizada uma consulta cujo resultado não foi levado em consideração, o diálogo aberto com todos os segmentos poderia nos ter apresentado a saída”, diz um trecho da nota divulgada pelas entidades estudantis. A nota completa pode ser conferida no site oficial da UBES.

No anúncio da nova data, o secretário-executivo do MEC, Antônio Paulo Vogel, justificou a escolha. “A enquete não seria o único parâmetro para definição da data. Nós sempre entendemos que seria muito importante ouvir os secretários estaduais de educação, assim como também as instituições de ensino superior”, afirmou.

Por Vinicius LIMA – redação Jornal DHoje Interior