Neuróticos Anônimos: ‘Grupo Esperança’ salva mentes em Rio Preto

Grupos se reúnem para compartilhar problemas, desabafar suas angústias e buscar no exemplo do outro o alento e aprendizado para melhorar seu convívio e relacionamentos. Foto Claudio Lahos

É muito difícil para quem sofre de algum problema emocional, principalmente a depressão, tentar encontrar a solução em outras pessoas. A tendência, observam especialistas e até mesmo quem sofreu nas mãos dessa doença, é o isolamento, com a vítima desses transtornos evitando ao máximo até mesmo atividades antes prazerosas, como celebrações entre amigos.
Mas é justamente estar entre os seus, no caso os companheiros de irmandade, que as portas para uma nova vida, longe de pensamentos negativos e tendências ainda mais pesadas, estão.
Há mais de 30 anos em Rio Preto, grupos se reúnem para compartilhar problemas, desabafar suas angústias e buscar no exemplo do outro alento e aprendizado para melhorar seu convívio e relações. O nome por si só desperta estranheza e certo preconceito – “Neuróticos Anônimos”, mas o grupo desenvolve trabalho de terapia emocional e a autoestima das pessoas doentes.
Na reunião não é preciso dizer nome, idade ou condição social. Segundo a coordenadora do grupo, que prefere não se identificar para manter o anonimato da causa, todo são tratados iguais e buscam encontrar caminhos alternativos para uma vida feliz. “Lá ninguém é melhor do que ninguém. Os neuróticos são pessoas normais e todo mundo tem algum tipo de ‘neura’, seja nervosismo, raiva, insegurança, ciúmes, orgulhoso, por exemplo. Vivemos para evoluir sempre e buscar a felicidade e o amor”, afirma.
Com mais de 70 anos, a coordenadora diz que leva uma vida tranquila e feliz. Mas admite ter sido vítima de um medo e insegurança em momentos da vida. “Não sabia o que tinha de fato. Era um sentimento de medo, angústia, raiva e insegurança, não podia passar perto do cemitério, de quem morria, de andar no escuro, e de ficar sozinha, tudo isso criado pelo sistema da mente”, recorda.

Convencimento da ajuda

A coordenadora reconhece quando foi convidada por uma amiga a frequentar o grupo, no primeiro momento ela recusou o convite. Mas, a cada dia, os sofrimentos aumentavam em sua vida. Até ser convencida, de fato, que necessita de ajuda.

“Todos que ouvem falar do grupo dizem: ‘Eu neurótico, jamais. Para com isso, não sou louco’.

Mas depois de aceitar a ajuda e conhecer todo trabalho de ensinamento e passos adotados na terapia, a visão muda completamente”, aponta.

“O grupo nada mais é que uma terapia que livra dos sofrimentos emocionais. ”
O primeiro contato com a comunidade, explica, serviu para que ela abrisse os olhos e percebesse que não estava sozinha. Enfim, havia encontrado a compreensão. Essa cumplicidade, explica a coordenadora, se evidencia pelo procedimento conhecido como ‘Terapia Espelho’, onde cada membro tem um espaço para expor suas experiências.
“Cada reunião, novas experiências de vida compartilhadas e novo conhecimento. O nosso pensamento é a matriz de uma vida em busca pela felicidade ou não. Temos sempre que buscar o entendimento da vida. O que está acima de tudo é a felicidade e o amor”, conclui.

Saiba mais

Mais informações na sede da irmandade “Grupo Esperança”, localiza na Avenida Dr. Cenobelino de Barros Serra, 2797, do lado do Santuário das Almas, Jardim Canaã. As reuniões acontecem quatro vezes na semana: segunda-feira (15 às 17h), quinta-feira (15h às 17h), sábado (15h30 às 17h30) e domingo (17h às 19h). O grupo disponibiliza material de apoio na Internet, no site: www.neuroticosanonimos.org.br/grupo-esperanca-s-j-do-rio-preto/. A terapia é aberta ao público e gratuita.

Por – Vinícius MAIA

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