Não passou no vestibular. E agora?

ESTUDO - Maria Júlia Tobias vai encarar o primeiro ano de cursinho para prestar medicina

Resumos, exercícios, fórmulas, horas e horas de leitura e uma boa dose de tensão são os principais fatores da rotina de um vestibulando. O combustível fica por conta do sonho de ver o nome na lista de aprovados. Mas tanta dedicação pode ter um resultado frustrante quando o objetivo não é atingido.

Como os resultados dos principais vestibulares do país já foram divulgados e as aulas regulares já começaram, o jeito é respirar fundo, superar a decepção e recuperar a fé em si mesmo.

A estudante Caroline Negrisoli, de 17 anos, terminou o ensino médio no ano passado, ficou longe nas classificações dos vestibulares que prestou e agora vai para fazer cursinho. “Eu tive que encontrar um jeito de conciliar os objetivos, mas ao estar estudando para as provas da escola eu já estaria estudando para o vestibular. Como houve essa intersecção facilitou para eu conseguir me dedicar aos dois. Por ser um curso de grande concorrência, já esperava fazer cursinho, então ao longo de 2017 cogitei a possibilidade e procurei saber mais sobre materiais e lugares em que eu possivelmente faria”, explicou a estudante que prestou todas as provas para o curso de medicina.

“A princípio eu achei desestimulante não passar no vestibular e cheguei a pensar como um ano de estudos “perdido”, mas agora estou animada com a ideia de fazer um ano de cursinho. Creio que tenho muito mais a aprender antes de começar a faculdade. O fato de eu não ter passado não me deixou brava, vejo como um motivo ainda maior para me dedicar mais aos estudos em 2018”, completou Caroline.

Quem também terminou o ensino médio e vai encarar o primeiro ano de cursinho é a Maria Júlia Tobias, de 17 anos, que contou ter estudado muito, mas também foi prejudicada pela alta concorrência no curso de medicina nas universidades públicas.

“No começo, a gente se sente mal, derrotado. Mas eu vejo a reprova como um incentivo, um obstáculo a ser vencido. Não me vejo fazendo outra coisa e vou prestar até passar. Escolhi um cursinho pré-vestibular pelo material didático e qualidade do ensino. Até onde eu sei, nenhum amigo da escola vai estudar lá”, contou a estudante.

Professora de física do cursinho Vitoriano, Júlia Saraiva, está habituada a ajudar os alunos a aprenderem mais da temida disciplina. “Inventar musiquinhas e macetes para decorar as fórmulas e trabalha a resolução de exercícios é a maneira que mais vi dando certo. A física está no nosso cotidiano e dominar os conhecimentos dessa área significa ter mais domínio sobre a vida em si. A física está em tudo, não tem como fugir dela”, explicou a professora.
“Acho que a grande dificuldade é por conta de uma base ruim, principalmente em matemática. Um ano de cursinho não é perdido, é um ano de conhecimento adquirido, então os alunos não podem ver como um ano em vão. Minha dica é: mais foco e disciplina na hora de se programar e estudar. O ideal é ter no mínimo 30 minutos, uma vez por semana, para revisar as matérias, e semanalmente, de 2 à 3 horas com foco em resolução de exercícios para ajudar a fixar bem o conteúdo. Estudar tudo de uma vez só não rende tanto”, completou Júlia.

Apesar dos resultados dos vestibulares já terem sido divulgados, quem obteve boa classificação ainda está na espera. A partir de agora, as universidades começam a chamar os interessados para assumir a vaga de quem passou na prova, mas decidiu não se matricular no curso.

Programas do Governo Federal, como o Programa Universidade para Todos (ProUni), Sistema de Seleção Unificada (Sisu ) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), também ajudam o aluno a alcançar o sonho de concluir um ensino superior.

 

Por Bia MENEGILDO

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