MULHERES SUPERPODEROSAS: O poder está com elas

Fotos Claudio LAHOS e Guilherme BATISTA

Sim, o poder está com elas! Guerreiras, sensíveis, humanas, trabalhadoras, inteligentes
e mais uma infinidade de qualidades que o simples fato de ser mulher carrega. O dia 8
de março traz raízes profundas que vão muito além de uma comemoração para aquecer o
mercado.

O Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20, a data foi
oficializada em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Tudo começou quando
as mulheres começaram a criar os movimentos para exigir seus direitos e melhores
condições de trabalho.

Dhoje Interior

“A presença das mulheres em di versos ramos de trabalho mostra o rompimento de barreira, porque hoje elas ocupam cargos que eram, exclusivamente, de homens. Isso é muito bom, porque mostra que as mulheres são muito capazes. Sempre houve um conceito muito negativo de que mulher nasceu para ser dona de casa, eu não tenho isso como uma data tão remota, a mulher passou a votar a partir de 1930, então éramos consideradas limítrofes, não era reconhecida a nossa capacidade intelectual”, disse a delegada Dálice Aparecida Ceron.

Atualmente, cargos de grandes destaques têm mulheres no comandado. Dálice Aparecida
Ceron atua há 28 anos como delegada, mas antes de ingressar na Polícia Civil, ela atuou em outras áreas. “Eu cursei estudos sociais e pedagogia pensando no magistério. Lecionei, trabalhei na secretaria de Educação em Macaubal. Eu me inspirei no meu irmão que era escrivão de polícia, ele me levava na delegacia para mostrar o trabalho dele, era bastante atuante, vocacionado e isso foi alimentando aquela coisa de polícia”, disse a delegada.

Já inspirada em seguir a carreira policial, Dálice saiu do interior da cidade de Monte Aprazível para trabalhar no Centro de Comunicações e Operações da Polícia Civil (CEPOL),
em São Paulo. Durante a estadia na capital, Dálice cursou a faculdade de direito.

“Deixei minha cidade, deixei minha casa paterna onde era totalmente assistida para morar
em São Paulo, que era pra mim desconhecido. Durante dois anos, trabalhei no Centro
de Comunicação, depois trabalhei como escrivã em crimes fazendários e trabalhei na divisão de homicídios durante três anos. Senti saudade da minha terra e pedi transferência”.

A delegada conseguiu uma vaga para trabalha na cidade de Guapiaçu e atuou como escrivã
durante cinco anos. “Quando consegui passar para o concurso para delegada, foi para Santa Fé do Sul. Depois de quatro meses trabalhando, a delegada da DDM de Rio Preto falou que gostaria que eu a substituísse e eu vim para Rio Preto”, conta Ceron.

No início na carreira com dois filhos pequenos, a delegada conciliava com maestria a profissão e a rotina familiar. “Sempre fiz questão de levar meus filhos na escola, de buscar porque é importante ter essa aproximação. Eu aproveitava meu horário de almoço para estar com eles e sempre fiz questão de estar perto dos meus filhos. Meu marido sempre
compreensivo e colaborava. Então consegui conciliar”.

Após junção da Delegacia da Mulher com a Delegacia do Idoso, Dálice Aparecida Ceron
foi convidada a ser titular da Delegacia do Idoso e coordenadora de núcleo das duas delegacias.

“O sinal dos novos tempos é rompimento de barreira e que vai trazer essas integrantes da
sociedade feminina a batalharem por um posto melhor”, disse a delegada. Outro exemplo
de grande mulher e rompimento de barreiras na profissão é a bela história de Mônica
Aparecida Sant’ Anna Cipolli que foi a primeira mulher a integrar a Corporação dos
Bombeiros em Rio Preto. “Entrei na Policia Militar no ano de 2000, na cidade de São Paulo,
onde fazia policiamento preventivo.

Sempre tive o sonho de trabalhar como bombeira, então fiz o teste e passei. Como sou
de São José do Rio Preto, fiz a opção de trabalhar na minha cidade e, no ano de 2005, entrei para o Corpo de Bombeiros.

Quando cheguei, não havia nenhuma bombeira aqui, somente uma em Votuporanga, que faz parte do nosso grupamento. Fui a primeira de Rio Preto”, conta Cipolli sargento do Corpo de Bombeiros.

No começo foram feitas várias adaptações no quartel, pois não havia instalações para
mulheres. “Foi muito gratificante poder fazer parte dessa corporação, fui muito bem
aceita pelos bombeiros que logo se acostumaram com a novidade. A adaptação ao serviço
foi difícil, pois requer muito esforço físico. Treinava todos os dias para poder provar que sou tão capaz quanto os homens”, explica Cipolli.

Com o tempo foram chegando outras mulheres, atualmente, no 13º Grupamento de Bombeiros de Rio Preto há 22 duas mulheres. Mônica trabalhou no Resgate, na parte de Incêndio, na área de salvamento e hoje integra o Setor de Comunicação Social. Casada
e com um filho de 13 anos, ela concilia a vida profissional com a rotina de casa.

“Procuro fazer o melhor tanto no meu trabalho como no meu lar. Adaptei as duas rotinas, fico no quartel das 9h às 18h, à noite e nos finais de semana cuido da minha família”.
“Amo o que faço e sou muito feliz, pois tenho o apoio e a admiração de meus familiares”,
afirma Cipolli. Força e muita determinação.

O exemplo que teve com os pais tornou Amália Paci em uma grande tenente da Polícia
Militar. “Minha mãe era sargento, meu pai aposentou tenente, então desde criança eu sempre acompanhei a carreira dos dois, sempre vim para o quartel. Minha mãe vinha trabalhar, ela tinha um carro Veraneio que ela colocava colchão, lancheira térmica com tudo e trazia meus dois irmãos e eu para o quartel.

Hoje, eu e meu irmão somos militares e minha irmã é bombeira. Ficamos apaixonados pela
profissão vendo meus pais”, conta a tenente. Amália formou-se em matemática, porque a carreira militar não era uma recomendação do pai. “Ele não queria que eu fosse polícia, porque é uma profissão masculina. A mulher ela é mais sensível, então queremos resolver da melhor forma possível. Mas não é nada que não damos conta de fazer igual o homem.

Se eles pulam muro, nós mulheres pulamos também, só que colocamos nossa emoção, nosso carisma”. “No ano passado durante uma manifestação do pessoal da Vila Itália, estava todo mundo alterado. Eu vi um menino chorando, eu comecei a conversar com ele e pedi um abraço, quando eu olhei tinha uma fila de crianças para me dar um abraço, naquele momento acabou a manifestação, tudo por conta de um abraço”, disse Paci.

Na rotina a tenente separa o trabalho com a questão familiar. “Na nossa escala operacional, trabalhamos um período durante o dia e outro à noite e folgamos dois dias. Então no começo foi muito difícil, hoje estou com quase dez anos de polícia, estou mais adaptada. Você não pode levar o que vê na rua para casa.

No ambiente familiar, eu sou tia, sou irmã, sou filha”. “Acho importantíssimo o empoderamento feminino no sentido de uma ajudar a outra. Hoje a maioria da população é
feminina, então, é fato, vamos chegar a cargos que nunca teve uma mulher. É da mulher gostar de crescer e nunca perdendo a delicadeza. Hoje estou realizada, porque é o que eu quero”, finaliza a tenente.

 

Por Mariane DIAS