Mulheres passam por atendimentos para combater a violência doméstica

Foto: Divulgação

“É complicado, acho que vou ter que sair daquela casa agora, tenho medo dele voltar”. Essa é fala de uma mulher que foi mantida em cárcere privado pelo companheiro, mas também é a realidade de muitas outras.

Um assunto que vem aumentando de importância a cada dia é a respeito da violência contra a mulher,os motivos, efeitos, possíveis formas de evitar, enfrentar, seu impacto na sociedade e na saúde pública. A violência contra a mulher ocorre no mundo inteiro e atinge todas as classes sociais, culturas, religiões e etnias.

A Lei Maria da Penha criada em agosto de 2006, tem como objetivo proteger a mulher da violência doméstica e familiar. Essa lei tem definidas cinco formas de agressão, são elas a violência física, psicológica, moral, patrimonial e sexual.

Em Rio Preto, o Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM) é um espaço que presta acolhimento, orientações, acompanhamento social, psicológico e jurídico às mulheres em situação de violência doméstica, buscando fortalecer sua autoestima e romper com o ciclo da violência.

O CRAM é formado por 11 profissionais, entre eles coordenadora, assistentes sociais, psicólogos, advogada, encarregada, assistente administrativo e auxiliar de limpeza.

De acordo com a Secretária da Mulher, Maureen Cury, as mulheres que chegam até o CRAM, passam por um acolhimento “Temos grupo de reflexão, junto com as psicólogas, assistentes sócias, com o objetivo de interromper as violências”.

Em 2017 foram 1.410 atendimentos técnicos e sócios jurídicos e inclusão de 260 mulheres no serviço. A vítima passa por um processo quando chega ao CRAM, é o que explica a coordenadora do CRAM Cléa da Cruz Lima “Assim que a mulher chega aqui, ela passa pelo primeiro atendimento, que é o atendimento psicossocial, onde buscamos entender toda a situação, todo contexto de violência que ela sofreu e aí, vamos marcando atendimentos semanais. Ela passa por atendimento psicológico, social e jurídico se necessário”.

O psicólogo Dalário Correia Cesar Filho explica como é o atendimento “A mulher chega muito fragilizada. Tratamos para que ela busque a autoestima dela, para ela se fortalecer. Muitas vezes a mulher não entende o que está acontecendo com ela, então a levamos a uma flexão para que ela compreenda, se fortaleça e consiga cessar a situação de violência.

Além dos atendimentos as mulheres, o CRAM também oferece em alguns casos atendimento ao agressor. “Trazemos o autor em situações que a mulher deseja isso. Avaliamos o caso para ver as possibilidades de trazer. Fazemos uma reflexão com o autor da agressão, às vezes, até três atendimentos e o encaminhamos, se necessário, para algum atendimento psicológico.” completa a coordenadora Clea.

As mulheres atendidas acessam o serviço de forma espontânea ou são encaminhadas pela Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher – DDM, Defensoria Pública, Polícia Militar, Cras, entre outros.

De acordo com a delegada da DDM, Margarete Franco existem penas diferentes para cada tipo de agressão “A pena por lesão corporal chega de três meses a três anos. O crime de ameaça é de um a seis meses. Quando o agressor descumpre a medida protetiva ele pode ser preso e é um crime inafiançável, indo para audiência de custódia”, afirma a delegada.

“Se a pessoa é agressiva, é uma pessoa com uma conduta perigosa, vem de agressões anteriores, a mulher tem que denunciar. Toda forma de agressão é necessário uma denúncia. Até para que não ocorra novamente. É uma forma da mulher se impor diante da situação”, orienta DraMargarete.

Na manhã desta sexta-feira (8), uma cuidadora de idosos e as filhas foram mantidas em cárcere privado pelo companheiro no distrito de Engenheiro Schmidt.  “Eu coloquei ele para fora de casa porque estava usando drogas. Mas de madrugada ele voltou, pulou o muro e não saiu mais”.

“Minhas filhas ficaram com medo, queriam ir para a casa do pai, mas ai ele começou ameaçar elas com uma faca, falando que se saírem de casa ia cortar todo mundo. Falava que não tinha medo de cadeia não. Ele me fez ir ao banco sacar 50 reais para conseguir pagar dívidas de drogas. Se eu não voltasse ia matar minhas filhas”, conta a cuidadora.

A mulher só conseguiu ligar para a polícia, depois que dopou o homem “Ele estava drogado e como eu tenho depressão, consegui amassar alguns calmantes e colocar no refrigerante dele. Assim que ele dormiu, consegui chamar a polícia”.

O homem foi preso em flagrante, “Ele vai responder pelos crimes de ameaça, sequestro cárcere privado e extorsão. Como juntou todos esses crimes, eles se tornam inafiançável. Então ele vai aguardar a audiência de custódia que acontece amanhã e o juiz vai ver quanto tempo ele vai ficar preso”, explica Cristina Santana, delegada responsável pelo caso.

 Casa Abrigo

A Casa Abrigo foi criada em 2003 na cidade de Rio Preto. Ela abriga mulheres em situação de violência sob grave risco de vida, juntamente com seus filhos. O acesso se dá apenas por encaminhamento. “Encaminhamos mulheres para a casa abrigo em situações de risco de morte. É uma situação muito séria. Temos cinco vagas aqui em Rio Preto, sendo uma para região e quatro para Rio Preto. Lá ela também é atendida, tem tratamento psicológico, social, grupos, oficinas, atividades” explica a psicóloga Cléa da Cruz Lima. (Leo BIGOTTO CARON)

Da Reportagem

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