Mulheres ainda são as principais vítimas de violência doméstica

Para a delegada Dálice, a mulher não pode se calar

Mulheres são alvos de diversos tipos de violência. Desde o assédio verbal até a morte. Os números comprovam essa estatística. Os casos de feminicídio no Estado de São Paulo aumentaram 44% no 1° semestre deste ano, comparado ao mesmo período de 2018.

Nos primeiros seis meses de 2019, 82 mulheres foram vítimas de feminicídio. Já em 2018, foram 57 casos. Desde 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio, ou seja, que envolvam ‘violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher’. Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.

No mês passado, a região assistiu a três condenações por feminicídio. Em todos os casos, os autores não se conformavam com o fim do relacionamento. O primeiro julgamento foi do jovem Lucas Ruan Silva Alves, de 21 anos, que foi condenado a 29 anos de prisão em regime fechado por estrangular, matar e esconder o corpo da ex-namorada Emeli Maria Carvalho Guerfuti, de 19 anos, em um lixão da cidade de Tabapuã. O crime foi em abril deste ano.

Depois foi a vez do vigilante Jarder Garcia Lopes, de 47 anos, ser condenado a 25 anos de prisão por ter matado a facadas a ex-mulher Luciana Ramos Santos. O crime foi no pátio de um posto de combustíveis em Rio Preto, em maio de 2016. Jader foi condenado por feminicídio qualificado por motivo torpe, de forma cruel e com dissimulação e surpresa.

A última condenação por feminicídio na nossa região foi de Anderson Padilha Zanelato. Ele matou a ex-namorada Luana Mendes, de 19 anos, no ano passado. O corpo dela foi encontrado em uma estrada de terra na área rural de Mirassol. A jovem chegou a ficar desaparecida por dois dias.

De acordo com a delegada da Mulher, Dálice Ceron, a mulher ainda sofre por conta do machismo e do que é pressuposto pela sociedade.

“Apesar de termos evoluído, o gênero feminino ainda sofre com o pensamento antiquado do homem, que pode vir da família. A mulher é cobrada não só no trabalho. Ela é cobrada em casa, faz duas, três jornadas e isso acaba gerando o conflito”, explica.

A delegada conta também que em parte dos casos, que acabam gerando o feminicídio, não há registro de violência entre o casal.

“O homem acaba se desestruturando emocionalmente diante de uma negação da mulher, por algo que é imposto por ela, e acaba com a vida da companheira, destruindo toda uma família”.

Um elemento que serve como uma forma de resguardar a mulher perante um caso de violência doméstica é a medida protetiva. Entre janeiro e junho deste ano, a Justiça de São Paulo concedeu 57.240 medidas protetivas de urgência para mulheres em situação de violência doméstica em todo o estado. Esse número é 29% maior do que com o mesmo período do ano passado, quando 44.483 medidas foram determinadas para os municípios paulistas.

F. M.T., de 29 anos, acabou entrando para essa estatística. Ela nunca imaginou que um dia o ex-namorado iria agredi-la fisicamente.

“Ele sempre foi muito ciumento, mas isso acabou ficando mais intenso com o passar do tempo. Eu decidi colocar um ponto final no dia que botou a mão em mim. Optei em recorrer à medida protetiva para me sentir protegida em qualquer lugar”, desabafou.

Segundo a delegada, a medida protetiva é um meio para a mulher se proteger perante uma situação de violência, porém essa decisão precisa ser tomada o mais breve possível.

“A mulher acaba vivendo em um ciclo vicioso com o seu parceiro e tem medo de denunciá-lo. Isso não afeta só o casal, mas os filhos e toda uma família que presencia essas situações. Se a mulher ter vergonha de ir até o plantão policial, ela pode vir até a delegacia da mulher, no Fórum ou também na secretaria da mulher. O que ela não pode fazer é se calar”, finaliza.

Por Vinicius LOPES

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