Moradores do Brejo Alegre se reúnem para decidir sobre desocupação

Treliças já foram erguidas para sustentar o muro que será colocado entre a linha do trem e os barracos da favela do Brejo Alegre

No dia seguinte a decisão da Justiça que determinou a retirada de 120 pessoas da ocupação do Brejo Alegre, que hoje vivem ao lado da malha ferroviária na zona Leste de Rio Preto, em barracos construídos com pedaços de madeira, lona e restos de móveis velhos descartados pelo restante da população na maior cidade do Noroeste Paulista, o clima ainda é de muitas incertezas e falta de esperanças para os moradores do terreno que não tem outro lugar para viver.

Segundo a sentença assinada pela juíza Tatiana Viana dos Santos divulgada na quinta-feira (10), eles precisam deixar o terreno num prazo de 60 dias, após o recebimento da notificação judicial.

“Não sei o que a gente vai fazer, tem muita criança aqui, não tem onde colocar esse pessoal todo”. Disse um morador que veio do Maranhão e desde o último domingo vive com o irmão em dos casebres, ouvido pela reportagem do DHOJE.

A outra parte interessada na saída da população, a Rumo que faz a gestão administrativa da linha férrea iniciou uma obra para construção de um muro entre a favela e a passagem das composições. Já o governo de Edinho Araújo (MDB), através da Secretaria de Habitação, informou em nota que ainda não foi notificada sobre a decisão. Assim que for, fará uma consulta à Procuradoria Geral do Município.

A desempregada Ângela Maria Izidoro de 40 anos, ficou sabendo pela televisão que terá que deixar a propriedade, ela vai se reunir com a fundadora da ocupação Antônia Claudia, vizinhos e o advogado Anderson Aparecido Pereira, que faz a defesa da comunidade, debaixo de um pé de manga. A reunião marcada para acontecer durante a noite desta sexta-feira (11) é com intuito de definir quais serão os próximos passos caso a reintegração seja cumprida.

“A gente não tem para onde ir, disseram que nem casa para nós eles [prefeitura] vão dar, ofereceram um barracão, agora como vão colocar todas essas famílias onde tem crianças”. Disse, Maria Izidoro.

A água que chega nas torneiras dos barracos sai de indústrias instaladas na parte de cima ao terreno, sobre o chão de terra batida ficam os cabos de energia que levam um pouco de luz dentro das casas. A ligação é clandestina e risco de incêndios são constantes. No local também vivem crianças.

Procurada para comentar em relação sobre a construção do muro, a Rumo América Latina Logística não retornou aos nossos contatos. O espaço continua aberto caso tenha interesse de se manifestar.

DA REPORTAGEM:

Colaboração: Guilherme Ramos, às 18h43.

SEM COMENTÁRIOS