Moradores da Vila Itália pedem adiamento de reintegração de posse por 90 dias

Pessoas sentadas no chão em audiência pública sobre habitação que lotou Plenário do Legislativo na noite de ontem (Foto: Ygor Andrade)

Na noite desta quinta-feira, dia 1º, o vereador Marco Rillo (PT) realizou ao lado da vereadora Marcia Caldas (PPS), Pedro Roberto (Patriota) e Jean Dornelas (sem partido), uma audiência pública cujo principal tema era a habitação. O foco, as medidas adotadas pela Administração Municipal na retomada de terrenos públicos, como aconteceu com a favela do Brejo Alegre.

A representante do Movimento Luta Popular, Irene Maestro, resumiu o caso dos moradores da comunidade que pedem a suspensão da ação movida pela Prefeitura para uma reintegração de posse. “Queremos um prazo de, no mínimo, 90 dias. Queremos ter que a prefeitura nos mostre uma solução que não a força”, disse.

O vereador Marco Rillo lamentou que, coincidentemente, no dia da audiência os secretário convidados tiveram que participar de um Congresso de Habitação em Brasília.

“Eles até me pediram para adiar essa audiência, mas nós precisamos manter nosso compromisso”, afirmou o parlamentar que, quando da palavra de Irene, pedindo que a Câmara intervenha junto à Administração para que suspenda a ação disse que “se a prefeitura não quiser agir nesse sentido, vamos ter que, infelizmente, brigar com eles”.
Representantes saíram a pé da Vila Itália até a Câmara Municipal carregando faixas e cartazes acusando a administração de menosprezar as 208 famílias que moram no local.

Aproximadamente 60 pessoas compareceram ao Plenário da Câmara onde estavam os vereadores e o defensor público Júlio Tanone que, ao assumir a palavra, falou a respeito das estratégias que estão sendo traçadas para evitar que uma reintegração de posse aconteça.

“Estamos trabalhando, nos organizando justamente para que, se não houver nenhuma alternativa, não aconteça um reintegração”, destacou Tanone.

Segundo o defensor público, em 1996 um primeiro grupo de pessoas sofreu uma ação demolitória pedida pela prefeitura, mas à época a Justiça entendeu que após uma verificação não seria possível demolir as construções e sim uma regularização.

“A segunda fase entre os anos de 2012 e 2015, houve uma ocupação irregular onde parte do terreno pertence a uma família e a outra parte à prefeitura. Mas eu reafirmo aqui meu compromisso de que vamos trabalhar para que não exista uma reintegração de posse”, salientou Júlio Tanone que ainda lembrou que o primeiro pedido de regularização do local foi feito em meados de 2013.

Ao final, Tanone garantiu que, caso o juiz determine pela reintegração na audiência da próxima segunda-feira, Defensoria Pública recorrerá da decisão.

Por Ygor Andrade

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS