‘Momo’: saiba o que está por trás do perfil de WhatsApp que virou polêmica

Foto Divulgação

Um novo perfil no WhatsApp tem ganhado destaque entre jovens e adolescentes, mas a ferramenta tem sido usada de forma negativa. Após o desafio Baleia Azul, em 2017, onde os jovens entre 15 e 29 anos eram incentivados a tirar a própria vida, o tema suicídio volta à tona com o surgimento do “Momo”.

Pouca coisa se sabe sobre o tal perfil. Alguns dizem que o número envia imagens e vídeos perturbadores. Outras pessoas dizem que se trata de um chatbot, um robô virtual que emite respostas automáticas pré-programadas com base nas mensagens recebidas. Há também quem ficou sem resposta ao tentar um contato.

Para o professor e especialista em segurança da informação do Senac, Lenio Flávio Pinto quem possui celular, anda com o inimigo no bolso. Por trás do que parece ser uma simples brincadeira de mau gosto, pode haver um sério risco para a sua segurança online.
“Há muito tempo não existe mais segurança da informação. Tudo o que falamos e escutamos através de um dispositivo móvel pode ser monitorado. Caso a pessoa esteja tentando algo ilícito, de certa forma ela pode estar sim sendo vigiada. No caso de aplicativos como o “Momo”, não recomendamos a sua instalação no celular, já que muitos termos e condições não são lidos e, desta forma, o usuário acaba liberando dados pessoais. Não existe nada de sobrenatural, apenas uma pessoa roubando suas informações e, usando tudo isso contra você”, explica ele.

Mas do que se trata o Momo? A foto do perfil é de uma mulher de olhos e boca arregalados como em um filme de terror. O número comumente associado à imagem começa com o DDI +81, prefixo do Japão.

A foto mostra, na verdade, uma escultura que foi exibida em 2016 no museu Vanilla Gallery, de Tóquio, dedicado a artistas independentes. Na verdade a escultura chama-se “Guai Bird”, de Keisuke Aisawa, inspirada numa lenda urbana japonesa.

Mas não é só esse aplicativo que induz os jovens a tentarem contra a própria vida. Na última segunda-feira, dia 10, um jovem de 15 anos foi encontrado morto, no bairro Cecap. O jovem era um dos participantes do tabuleiro “Ouija”, um jogo em que os jogadores podem receber respostas às questões colocadas através de um indicador móvel que desliza sobre números e letras numa tábua de madeira. Muitas pessoas acreditam que o jogo tem poderes sobrenaturais, um forma de comunicação entre os espíritos e o mundo dos vivos.
O cunhado dele, Danilo Francisco de Oliveira disse que o garoto não tinha problemas e a família não desconfiou de nada. “Ele era um menino alegre, todos nós gostávamos dele. O jogo é demoníaco e acabou tirando a vida do nosso menino. Ele já saiu de casa para a escola com tudo planejado”, comenta emocionado.

Luzia Henk, amiga da família comenta que não descobriram antes o envolvimento do jovem com o jogo porque ele havia apagado o aplicativo do celular. “Não havia como monitorar ele. Não houve qualquer sinal da parte de Moyses de que algo estava errado, depressivo ou que precisava de ajuda. Queria fazer um apelo para que todos estivessem atentos aos filhos que usam a internet”, alerta Luzia.

O jovem deixou uma carta para a família pedindo para que amigos e irmãos entrassem no jogo para que pudessem se comunicar.

A psicóloga pedagoga, especialista em Neuropsicologia, Graziela Capelin diz que é estranho pensar que a sociedade ainda carrega um quadro de retrocesso, já que não adianta acabar com situações como estas, o que falta é diálogo entre as famílias.

“As crianças estão crescendo cada vez mais sozinhos, sem carinho, sem tempo com os pais. Quando isso acontece, o filho busca qualquer coisa para preencher este espaço. O não saber lidar com o vazio e com a solidão pode fazer com que a criança decida tirar a própria vida. Precisamos olhas esses adolescentes com outros olhos, oferecer um colo seguro para evitar situações trágicas como esta”, comenta a especialista.

Graziela ainda destacou que a falta de limites e regras deixa os filhos despreparados para as frustrações. “Os filhos não são ensinados a lidar com a frustração e buscam a fuga com o suicídio, que nada mais é do que o alivio da dor”, destaca.

A maior barreira para tratar o tema suicídio ainda é o tabu no qual está envolto. As pessoas em sofrimento têm necessidade em comunica-lo, mas esbarram nessa censura. Segundo mapa da violência, divulgado em abril deste ano, entre 1980 e 2014, houve um aumento de 27,2% nos casos de suicídio, sendo que 90% deles poderiam ser evitados.
A dica do especialista em segurança digital é que as pessoas deixem o celular de lado para se aproximar umas das outras. “Hoje de 100% das pessoas que estão em determinado local, 80% delas estão preocupadas em se expor nas redes sociais. Falta o contato humano, o contato físico. É preciso manter o mesmo nível de segurança do mundo físico para o virtual. É como atravessar a rua: olhar para os dois lados para evitar acidentes”, explica ele.

A principal recomendação é: não procurem adicionar o número e falar com este perfil. Na dúvida, se você já entrou em contato e a pessoa do outro lado te mandar instalar um aplicativo ou clicar no link, não faça isso. E, como sempre, é importante tomar cuidado ao repassar informações delicadas pela internet. Conteúdo especial: Jaqueline BARROS

 

Da REPORTAGEM

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