MAIS FÉRTIL: Meu óvulo é seu

Muitas são as razões que levam uma mulher a necessitar de óvulos doados para realização de seu projeto maternal e essa necessidade tem se ampliado nos últimos tempos. Não podemos deixar de destacar as mudanças no comportamento social da mulher, onde um exaustivo preparo profissional tornou-se necessário para enfrentar as questões de gênero que norteiam o desigual mercado de trabalho e que levam a retardar o projeto da maternidade.

Pacientes que perderam a função ovariana devido a uma patologia, câncer, cirurgia, quimioterapia, radioterapia, mulheres com menopausa precoce, menopausa fisiológica, ovários que não respondem à indução da ovulação, múltiplas falhas de implantação e casos complexos que envolvem doenças hereditárias podem ser beneficiados com programas de ovodoação.

A ovodoação é o processo no qual uma mulher recebe óvulos de uma doadora (anônima) com o objetivo de obter uma gestação. Os óvulos da doadora são unidos aos espermatozoides do marido da receptora para obter os embriões, estes são transferidos para a receptora através de um tratamento de Fertilização in Vitro.

As doadoras são pacientes que normalmente estão passando por algum outro tipo de tratamento de fertilidade e que assinam um termo de consentimento afirmando que os óvulos excedentes poderão ser doados.

A doação pode ocorrer por dois motivos: a doadora tem apenas o interesse em ajudar outra mulher que apresenta dificuldades, como um ato solidário, ou também, se ajudar, no caso de necessitar do tratamento de fertilização e apresentar dificuldades no custeio desse tratamento; isso porque, na ovodoação, é possível que haja uma ‘troca’, a mulher que tem óvulos saudáveis se propõe a doar alguns para a ovoreceptora e em troca tem a redução nos custos de parte de seu tratamento.

É muito importante ressaltar que a venda de óvulos é totalmente proibida no Brasil. A única alternativa legal é o processo de ovodoação solidário ou em que ambas as partes se beneficiam (doadora e receptora).

Mas como a Ovodoação é um processo delicado, existem alguns critérios a serem preenchidos. O principal deles é que a idade da doadora seja inferior a 35 anos e que sua identidade não seja revelada.

São realizadas várias sorologias exigidas por órgãos como a Anvisa para que a doação seja possível e também outros exames, como o de secreção vaginal. É importante também conhecer o tipo sanguíneo da paciente, seu histórico pessoal de doença familiar, o fenótipo, aparência física e com isso é possível escolher uma doadora (anônima) com características compatíveis com a receptora.

Nesse tipo de gestação, através da ovodoação, apesar do óvulo não carregar o mesmo DNA da mãe receptora, ao se desenvolver dentro do útero dela, ele sofrerá modificações das funções genéticas herdadas, e a esse fenômeno, dá se o nome de epigenética. As trocas hormonais através do fluxo sanguíneo entre mãe e bebê, permitirão o compartilhamento de informações celulares e imunológicas, importantes. Outra forte influência é o ambiente e os hábitos da família na qual aquele bebê será criado que passará a moldar todo o seu comportamento.

E com essa técnica, quais serão as chances de uma gravidez? As chances são altas de se conseguir uma gestação. Em torno de 50%. Isso porque as doadoras são jovens e consequentemente os óvulos têm melhor qualidade.

A ovodoção é um tratamento muito eficaz para muitos casos de infertilidade. Vale a pena conversar com seu médico para investir nessa alternativa com uma maior taxa de sucesso. Muitas pessoas ainda têm preconceito, anseios e dúvidas emocionais, mas quando você doa um óvulo está ajudando outra pessoa a realizar um sonho, gerar um filho, é um ato de amor e o mesmo fluxo de troca, doação e possibilidades acontecem quando você recebe esse óvulo, o amor transmitido durante uma gestação é capaz de criar uma ligação que com certeza ultrapassa qualquer genética.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.

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