Meio Ambiente: Condenada, árvore histórica da espécie guapuruvu é cortada em Rio Preto

Foto Claudio LAHOS

Condenada, a árvore da espécie guapuruvu da Vila Imperial, de 85 anos, foi cortada
pela Prefeitura de Rio Preto na tarde de ontem. A árvore havia sido tombada como patrimônio histórico municipal em 2014, mas corria o risco de queda devido à propagação de fungos, cupins e brocas. A supressão foi acompanhada por representantes técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo, da Defesa Civil e do Comdephact.

A determinação de cortar o guapuruvu foi expedida pela Defesa Civil, no dia 14 de fevereiro. Segundo o coronel Carlos Lamin, diretor da Defesa Civil, laudos técnicos da
Secretaria de Meio Ambiente e de empresa especializada em análise botânica, a respeito dos aspectos internos e externos do guapuruvu, “a supressão total da árvore foi recomendada visando garantir a segurança de pedestres e moradores, uma vez que o risco de queda era iminente, sobretudo em caso de chuvas fortes e rajadas de ventos frequentes na região nesta época do ano”, comentou.

Após a supressão da árvore, uma vistoria foi realizada por técnicos do Meio Ambiente
e foi detectada presença de podridão nas raízes, no tronco onde foi realizado o corte
e nos galhos principais. Na análise executada, também foi apurado nenhum sinal de
envenenamento no arbóreo.

Localizada na Vila Imperial, em um terreno particular, o guapuruvu chamava a atenção
das pessoas pela altura das copas e a largura do tronco. A árvore nativa tinha 85 anos e mais de 30 metros de altura. Em 2014, moradores da região se mobilizaram para
proteger de possível corte da árvore diante da construção de dois prédios, de 14 andares,
instalado ao terreno ao lado. Na ocasião, a espécie foi preservada e considerada patrimônio histórico pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Rio Preto (Comdephact).

“O guapuruvu cumpriu seu ciclo de vida médio, que é de 75 anos na natureza, e hoje precisa ser suprimido por questões de segurança pública, situação que é respaldada por
laudos técnico-científicos”, explica comunicado do Comdephact.

O conselho se compromete com medidas compensatórias tendo em vista a árvore ser
tombada conforme decreto municipal. Em parceria com Associação Amigos dos
Mananciais, o Comdephact compromete a reproduzir uma matriz com o DNA da árvore e
suas respectivas mudas, além do projeto de construção de um memorial para que o espaço
estimule ações de consciência ambiental através de projetos de educação ambiental.

Segundo o advogado Rafael Azeredo de Oliveira, coordenador da Comissão de Direito
Ambiental da OAB de Rio Preto, o órgão continuará acompanhando os atos pós-corte. “A
OAB concordou com a decisão do Poder Público da necessidade do corte da árvore para
evitar risco de danos à vida de pessoas no local, contudo, continuaremos acompanhando
os atos dos órgãos públicos e dos Conselhos acerca do pós-corte da árvore”, disse.

 

Por Vinícius MAIA