Média de partos normais salta de 13% para 40% no HCM de Rio Preto

Debora e o marido, durante trabalho de parto em uma das salas de PPP do HCM

Os partos normais, considerados procedimentos com o mínimo de intervenções possíveis, tem apresentado uma procura maior nos últimos anos. A mudança cultural, o amparo médico e apoio da família colaboram para a decisão da gestante na hora de escolher como o filho virá ao mundo.

Há pouco mais de dois anos, o Hospital da Criança e Maternidade, em parceria com o Ministério da Saúde, ANS, Hospital Albert Einstein e IHI implantou na unidade o Projeto Parto Adequado (PPA), tudo para estimular as gestantes na escolha do parto normal e humanizado. Só nos últimos doze meses, foram 448 partos normais e mais 700 procedimentos realizados, ou seja, um crescimento de 300%.

A médica Rudiane Vicentine Pivieri, ginecologista e obstetra do HCM, explica que a informação ainda continua sendo a maior aliada para um crescimento significativo nos números de partos normais.

Ela explica ainda que o HCM possui três quartos de PPP (Pré parto, Parto e Pós parto normal), para assistir a gestante. Ela diz que “as salas são equipadas com todos os itens que a parturiente precisa, sem a necessidade de se deslocar até o centro cirúrgico. Tem banheiro com chuveiro quente, espaço para caminhada, cama adaptada, banquetas de parto que nos permite simular o parto na posição de cócoras. O objetivo é proporcionar bem-estar, segurança, criando um ambiente familiar, inclusive com a presença e a participação do acompanhante em todo o processo de trabalho de parto. A presença das doulas, que já acompanham as gestantes, também é permitida desde que elas possuam um cadastro ativo no hospital”.

Mesmo com a mudança, a América Latina é a região com maior taxa de cesáreas do mundo com 44,3%. O Brasil é o segundo país que mais realiza esta cirurgia, recomendada apenas em casos específicos. Ainda de acordo com dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), nos hospitais privados, cerca de 85% das mulheres fazem o parto cirúrgico. O recomendado pelo Ministério da Saúde é que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas.

Os benefícios, segundo a médica, são inúmeros tanto para a mãe quanto para o bebê. A gestante tem menor exposição aos riscos de uma cirurgia, diminuindo as chances de infecção e efeitos colaterais como lesão de órgãos e hemorragias. Já para o bebê os riscos são menores em relação a doenças respiratórias, já que o processo é mais fisiológico e o parto só acontece no momento em que o bebê estiver pronto para o nascimento.

Debora Siqueira Martins disse que escolheu o parto normal por ter tido acesso a informação de qualidade. “Por muitos anos eu via bebês nascerem de cesárea. Eu sempre ouvi que bebês que nasciam de parto normal morriam. Diante disso, fui em buscas de informações depois de perder uma sobrinha, durante a gestação. Comecei a estudar, ler muito sobre parto normal. Fui em audiências públicas sobre episiotomia e me descobri. Eu sabia que era isso que eu queria pra mim. Parto normal com todo o respeito que minha filha merecia”, relatou a mãe.

Debora disse ainda que quando engravidou precisava escolher onde realizar esse sonho. “Tive diversas ideias. Depois de algumas conversas com conhecidos, decidimos ir até o HCM conhecer a sala PPP, mesmo com receio, porque até então tinha ouvido falar que lá não era um lugar que respeitavam o parto normal. Minha filha, Cecília Siqueira Martins nasceu dia 4 de dezembro de 2018, às 13h04, num parto natural, no chuveiro da sala PPP. Ela teve o cordão cortado quando parou de pulsar, foi amamentada na primeira hora de vida o que auxiliou muito no processo de amamentação e foi respeitada, como toda criança deveria ser ao nascer”, completou.

A expectativa é de crescimento em relação ao procedimento. A média do HCM era de 13% para partos normais e, hoje, a porcentagem está em 40%. A obstetra diz que pretende chegar agora aos 60%.

As gestantes que quiserem conhecer o HCM, a instituição realiza visita de reconhecimento na maternidade, com agendamento prévio, pelo telefone 3201-5000, ramal 3188, em dias pré-determinados.

Por: Jaqueline BARROS

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