Marca de camisetas virou produtora e vai ajudar músicos autorais

Três jovens amigos de Rio Preto com uma ideia na cabeça, decidiram criar uma marca de camisetas que fosse diferente, caracterizando a cultura Underground, fonte de renda para concretização da recém-inaugurada empresa. Thiago, um dos sócios da empresa é formado em design, então era ele quem desenhava algumas peças logo no início, em junho de 2015.

Como todo negócio precisa de uma campanha para se destacar no mercado e ganhar muitos clientes, eles encontraram nos vídeos e coberturas fotográficas em festas pela região Noroeste paulista. O público gostou tanto que acabou virando a principal janela para que o empreendimento voasse alto, certo.

“Ficava levando estande, [tinha] toda aquela burocracia e chegava lá não vendia as camisetas. E o próprio pessoal pedia para que fossemos lá fazer fotos e vídeos. Pensamos assim: “Ahh! Então vamos deixar as camisetas de lado”, afirma Igor Franco, fotógrafo e um dos sócios do negócio.

A idealização das camisetas para atender a demanda de um público descolado, naquele meio de ano, perdeu espaço para o conteúdo gerado através das narrativas que eles produziam, na tentativa de ganhar uma grana e consolidar o nome do produto, que terminou virando uma produtora de audiovisual, H3C, que fica em uma das salas do 2º andar de um posto de combustíveis, bem perto da rodovia Washington Luiz.

É lá que artistas, músicos da cena autoral, terão a chance de arrancar da gaveta suas letras e gravar um acústico profissional. Tudo de graça. “Não é simplesmente pegar e produzir de graça, é você pensar na questão da cultura, você está levando uma cultura, pegando um pessoal que está produzindo, que as vezes fica perdido ali, não tem como mostrar”, conta Franco.

Desde o dia 22 de novembro, exatamente dia do músico, foi liberada as inscrições para o concurso R3C [ lê-se rec.] dentro da produtora. A ideia do grupo é incentivar a produção de canções autênticas, criativas, aliada a linguagem audiovisual que desenvolveram ao longo do tempo e vai funcionar da seguinte forma:
O participante grava em HD, pode ser com o próprio aparelho celular, um ensaio da banda ou cantando a letra, sobe o vídeo em qualquer plataforma de armazenamento em nuvem, OneDrive, Google Drive e WeTransfer. Depois envia o link para o e-mail do projeto: [email protected] Aqueles que se encaixarem no estilo dos jurados, vai para segunda fase, um modelo de júri popular virtual.

“Quando você cria a música, você dá uma energia diferente para a letra que você está se expressando. Está muito difícil hoje em dia de dar certo a pessoa que faz a música própria”, disse Eduardo Assis, produtor também sócio do projeto.

Terá uma votação nas redes sociais pelos seguidores da página do projeto, através de reações. O mais bem avaliado de três leva o prêmio. Quem estreou o concurso e já está compartilhando com os fãs um clipe é o cantor, Zac Mônico, ele foi convidado para dar um start no esquema e mostrar como a ideia vai funcionar na pratica.

“Então não vai ficar essa responsabilidade para gente escolher qual o melhor, quem somos nós para escolher, saber se a música é boa ou ruim. A melhor visão para escolher se ela realmente é uma música boa é o público”, comenta Assis.

Haverá edições mensais do R3C, ou seja, você tem a chance de enviar quantas letras quiser todos os meses do ano.

Trabalhar com música independente tem sido uma tarefa não muito fácil, ainda mais em tempos de crise, num país que pouco valoriza a cultura e sua ampla diversidade de expressão musical. Os custos que estão por detrás do planejamento, produção e divulgação de um DVD, por exemplo, são muito altos, muitos outros artistas acabam no anonimato.

“A intenção é ganhar cada vez mais espaço com isso, quanto mais as pessoas puderem nos ajudar, compartilhar isso ou levar adiante, que existe um projeto que incentiva as pessoas criar uma música”, diz Thiago Guimarães, integrante da produtora.
Daí a importância do vídeo e seus canais de difusão como o Youtube, ferramenta importante nos dias atuais de disseminação de conteúdo em movimento e popularização de artistas em todos os cantos do planeta.

Importante lembrar que o foco do R3C é originalidade do trabalho apresentado, projetos cover não serão observados nesta edição do concurso. É o que disse Thiago Gasparini, proprietário da empresa, durante um bate papo com a reportagem no estúdio, onde vai rolar todo o processo de criação do vídeo. A partir de janeiro do ano que vem, até o final do corrente mês, começa a primeira rodada de seleções e gravação dos primeiros premiados do concurso.

 

Da Redação

(Colaborou: Guilherme RAMOS)

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