Manifestantes lotam a Câmara e protestam contra e a favor a Escola sem Partido

Com manifestantes dos dois lados, levando cartazes, mordaças e fazendo muito barulho, Câmara está lotada aguardando o desfecho da Escola sem Partido

Um verdadeiro Fla-Flu. Lotada e divida ao meio, a 37ª sessão ordinária das Câmara dos Vereadores de Rio Preto, que acontece neste momento, recebe os manifestantes contra e favor da Escola sem Partido, projeto que deve ter algum desfecho ainda nesta noite de terça-feira (7).

Diretora do Sindicato dos Servidores Municipais, Celi Regina explicou os motivos de ser contra o projeto. “Nós entendemos que esse projeto em nada contribuí para a educação de qualidade e pública em nosso país, no caso, na nossa cidade. Esse projeto é fabricado por pessoas que são fascistas, por pessoas extremamente da direita, pessoas que querem um retrocesso no nosso país”, disse ela, que justificou a posição contrária.

“As escolas públicas já têm muitos problemas. Ao invés do vereador querer resolver problemas das escolas do município, ele está tentando criar mais um problema. Nós temos uma Secretária Municipal de Educação que funciona, um sistema municipal de ensino, ou seja, um sistema próprio. Então, nós não precisamos desse tipo de problema. Precisamos de questões que resolvam problemas na nossa educação pública, que não são poucos”, afirmou Celi Regina.

A diretora também criticou a ação dos vereadores que são a favor do projeto. “O vereador também não tem o direito, não é constitucional, tentar mexer na educação do município. Até porque a educação tem uma lei de diretrizes e bases que é nacional. Compete apenas a União modificar a base curricular. Então, nós não precisamos de um projeto que queira amordaçar o professor, até porque temos esse direito garantido na constituição federal, a liberdade de ensinar e aprender e a liberdade de expressão”, finalizou.

Do lado favorável a Escola sem Partido, Manuel Carlos Torres, Presidente do MCB – Movimento Cidadania Brasil -, explicou o seu apoio a ideia. “Estamos aqui para apoiar o movimento Escola sem Partido, porque a gente entende que em determinadas situações, em algumas idades de crianças no período escolar, elas estão em vulnerabilidade e nesse momento, ainda não é o momento de se confrontar o estilo de vida da família, os valores da família. A criança ainda não tem julgamento suficiente para filtrar esse tipo de coisa”, disse.

Torres também falou sobre os prós da Escola sem Partido. “Lógico que nem todo tipo de acesso do professor a criança é ruim. É verdade. Mas um que aconteça dessa forma, pode estragar a cabeça de uma criança. Então, o que a gente quer não é amordaçar professor, ou tirar a discussão política da sala de aula, em absoluto. Acho que isso forma o cidadão, isso faz com que ele crie barreiras com esse tipo de pensamento e consegue fazer discernimentos muito mais acertados quando tem contato com diversas correntes. Mas na primeira infância, na segunda infância, ainda não é o momento disso”, afirmou o presidente do MCB, que encerrou esclarecendo a ideia do movimento.

“O projeto é muito simples. Ele só quer que seja colocado nas escolas, uma lista de direitos para que a criança tenha e conheça, o pai conheça, nem tem uma punição prevista para quem desrespeitar. Mas queremos elucidar e trazer ao conhecimento da criança os diretos que ela tem, para que se ela se sentir constrangida de qualquer forma, e não só na questão política, mas na questão de ideologia de gênero, na questão sexual, se ela se sentir constrangida, ela ter a certeza que pode se revoltar contra isso. Ela não é uma pessoa que está mal colocada dentro do meio. Ela pensa do jeito dela, e tem esse direito de pensar diferente”, finalizou.

Por Marcelo Schaffauser

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