MAIS FÉRTIL – O Outubro Rosa: mês mundial de conscientização do Câncer de Mama

O movimento que acontece durante todo o mês de Outubro, surgiu nos Estados Unidos, em 1990 para estimular a participação da sociedade na prevenção contra o câncer de mama. Hoje, ele é celebrado em diversos países, com o objetivo de chamar a atenção das mulheres para os riscos e a necessidade do diagnóstico precoce deste tipo de câncer, que é o segundo mais recorrente no mundo.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2019, somente no Brasil, o câncer de mama atingiu mais de 59 mil pessoas. A doença está entre as mais comuns entre as mulheres no país, podendo acometer também aos homens, porém, é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Dhoje Interior

O câncer de mama é considerado relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. O diagnóstico da doença em fases iniciais, na maioria dos casos, aumenta a chance de tratamento e cura, por isso, é necessário realizar o exame clínico das mamas, além da realização do autoexame periodicamente.

O câncer de mama não tem uma causa única. Diversos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença, tais como: idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários.

A idade, assim como em vários outros tipos de câncer, é um dos principais fatores que aumentam o risco de se desenvolver câncer de mama. O acúmulo de exposições ao longo da vida e as próprias alterações biológicas como o envelhecimento aumentam o risco. Mulheres mais velhas, sobretudo a partir dos 50 anos, são mais propensas a desenvolver a doença.

Fatores endócrinos ou relativos à história reprodutiva referem-se ao estímulo do hormônio estrogênio produzido pelo próprio organismo ou consumido por meio do uso continuado de substâncias com esse hormônio. Esses fatores incluem: história de menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos); menopausa tardia (após os 55 anos); primeira gravidez após os 30 anos; nuliparidade (não ter tido filhos).

Fatores relacionados a comportamentos ou ao ambiente incluem ingestão de bebida alcoólica, tabagismo, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante.

Fatores genéticos/hereditários – Estão relacionados à presença de mutações em determinados genes transmitidos na família, especialmente BRCA1 e BRCA2. Mulheres com histórico de casos de câncer de mama em familiares consanguíneos, sobretudo em idade jovem; de câncer de ovário ou de câncer de mama em homem, podem ter predisposição genética e são consideradas de risco elevado para a doença.

A prevenção do câncer de mama não é totalmente possível em função da multiplicidade de fatores relacionados ao surgimento da doença e ao fato de vários deles não serem modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles considerados  modificáveis.

Estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor.

O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim as chances de tratamento e cura. É importante que as mulheres fiquem atentas a qualquer alteração suspeita na mama. Quando a mulher conhece bem suas mamas e se familiariza com o que é normal para ela, pode estar atenta a essas alterações e buscar o serviço de saúde para investigação diagnóstica.

A orientação atual é que a mulher faça a observação e a autopalpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal (no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano). A mamografia tem a função de detectar a doença ainda em fase inicial para que seja possível iniciar o tratamento logo em seguida. Dessa forma, as chances de cura aumentam consideravelmente e os impactos das doenças são minimizados, a recomendação é que as mulheres comecem a realizar o exame de mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade, as mulheres de grupo de risco aos 35 anos e as que possuem idade entre 50 e 69 anos, o intervalo máximo entre os exames não deve exceder 2 anos.

Entre os sinais e sintomas do câncer de mama, podemos observar: nódulo (caroço), fixo e geralmente indolor: é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito (mamilo); pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço; saída de líquido anormal das mamas. Esses sinais e sintomas devem sempre ser investigados, porém podem estar relacionados a doenças benignas da mama.

Além da prevenção da doença, outro ponto muito importante é a conscientização sobre os efeitos dos tratamentos oncológicos na fertilidade.

Assim que a doença é diagnosticada, inicia-se o tratamento oncológico, que normalmente ocorre através de procedimentos com quimioterapia e radioterapia. Entretanto, além desses tratamentos combaterem as células cancerígenas, eles também afetam diretamente as células germinativas que dão origem a óvulos e espermatozoides, o que pode causar a infertilidade. Dessa forma, no caso de pacientes em idade reprodutiva que desejam engravidar após a cura da doença, suas chances podem ficar comprometidas.

Diante da informação de que tem se tornado mundialmente cada vez mais comum à incidência desses tipos de doenças em mulheres que estão em idade reprodutiva, é importante alertar a população feminina, e ressaltar que o médico oncologista deve manter um estreito diálogo com suas pacientes sobre todo o processo do tratamento, esclarecendo todos seus efeitos e indicando as possibilidades de preservação da fertilidade antes do início do tratamento.

Existem algumas maneiras para preservação desta fertilidade tanto para homens como mulheres pré-tratamento oncológico. A escolha do método mais adequado deve ser feita em conjunto com seu especialista, em tempo hábil, sem prejudicar a saúde do paciente.

Hoje, as técnicas de reprodução assistida estão muito avançadas e, no caso de mulheres com câncer, o início do tratamento pode ser feito em qualquer fase do ciclo, sem que haja a necessidade de esperar a próxima menstruação. Em média, a mulher leva de 10 a 15 dias para preservar sua fertilidade, ao obter óvulos ou embriões, que serão criopreservados, por meio da técnica de criopreservação de óvulos ou embriões. O congelamento de embriões é uma técnica consagrada, muito utilizada para tentativas futuras de gestação por mulheres com relacionamento estável, e para as mulheres que não possuem relação estável, o congelamento de óvulos, através da técnica de vitrificação, é uma excelente opção.

No caso dos homens, o tratamento é bem mais simples e, em até cinco dias, podem ser recolhidas e armazenadas 02 ou 03 amostras de sêmen, que permitem uma excelente reserva reprodutiva.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana