MAIS FÉRTIL: Mãe aos 61 anos

Com 61 anos, Ana Maria deu à luz a seu primeiro filho e realizou o sonho de ser mãe. O seu bebê Ian veio ao mundo cheio de saúde, por parto cesariana, em londrina no interior do Paraná, com 3,4 kg, 47 cm e com 39 semanas de gestação.

O desejo da maternidade não é de agora, veio há aproximadamente 15 anos, e acabou sendo adiado por conta dos estudos e da carreira. Em 2013, Ana Maria entrou na fila de adoção, mas percebeu que teria muitas dificuldades para conseguir uma criança recém-nascida, como era seu desejo, e acabou desistindo.

O próximo passo, ela já sabia, por trabalhar na área da saúde (enfermagem), que o desejo da maternidade poderia ser realizado através de tratamentos em reprodução assistida. Pelo fato de não ter um relacionamento, obrigatoriamente, necessitaria de um banco de sêmen, por apresentar idade avançada e estar na menopausa, também seria necessário a doação de óvulos de uma mulher jovem, para que a gestação fosse possível.

Então, quando tinha 55 anos iniciou uma luta para que o Conselho Federal de Medicina pudesse liberar o seu tratamento, já que a idade máxima para os tratamentos de reprodução assistida era de 50 anos de idade. Com isso, esbarrou em duas negativas e mesmo judicialmente não conseguiu a tão sonhada liberação.

Em 2015, uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina reacendeu esperanças à auxiliar de enfermagem. A entidade passou a permitir que mulheres mais velhas fizessem a reprodução assistida, desde que a interessada e seu médico assistente assumissem os riscos.

A partir disso, Ana Maria passou a se dedicar às etapas do tratamento. Realizou diversas avaliações da própria saúde, com diferentes especialidades médicas. O médico vascular indicou meias de compressão por conta de varizes durante toda uma futura gestação.

Depois de várias tentativas de implantação e de uma gestação inicial que não evolui, ela finalmente conseguiu engravidar do pequeno Ian.

Por mais que todos os cuidados sejam tomados durante o período gestacional, a idade avançada pode trazer riscos à futura mãe e ao bebê, como maiores chances de desenvolver diabetes gestacional, obesidade, alterações na placenta e hipertensão. Tendo em vista que estas complicações podem prejudicar a evolução gestacional, o pré-natal de uma gravidez tardia é também diferenciado.

As consultas médicas tendem a ser mais constantes e o volume de exames solicitados é maior, além de serem mais específicos, dependendo do histórico de saúde da mulher. O pré-natal também pode detectar algum problema de saúde que o bebê possa vir a ter com mais rapidez.

O interessante é que o risco de alterações cromossômicas que poderiam levar o feto a apresentar algum defeito genético é pequeno, pois o óvulo doado geralmente é de uma mulher muito jovem, e se for feito qualquer cálculo para risco genético deve ser baseado na idade da mulher doadora do óvulo, e não da receptora que no caso era a Ana Maria.
Essa realmente é uma história inspiradora, e nos deixa com a certeza que nunca é tarde para realizar um sonho, basta acreditar, ter determinação e resiliência para atingir os nossos objetivos. Segundo a mãe, Ian significa agraciado por Deus.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS