MAIS FÉRTIL: Atualizações sobre tratamentos de reprodução assistida e Covid-19

Agora, dia 15 de abril de 2020, foi emitida nota conjunta com atualizações sobre tratamentos de reprodução assistida e Covid-19, trazendo informações complementares à nota emitida em 21 de março de 2020.

Abaixo segue nota na íntegra da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida – REDLARA:

Dhoje Interior

Acompanhando as demais sociedades mundiais e face à presença da pandemia de Covid-19, emitiram comunicado em 17 e 21 de março. Globalmente, e na América Latina não foi diferente, ciclos iniciados foram completados, decisões de congelamento tomadas, transferências discutidas e, na maioria das vezes, postergadas.

Desde o início, entendemos que poderia haver situações a serem individualizadas, como os casos oncológicos, em que pacientes necessitariam com urgência da preservação de seus gametas previamente a procedimentos cirúrgicos ou eventual quimioterapia que pudesse afetar sua fertilidade futura. Ao mesmo tempo, havia outros casos susceptíveis de individualização.

Passados 30 dias, com novos dados sobre a Covid-19, reconhecendo novos cenários para diferentes países, regiões ou cidades, além da realidade de um período claro de extensão da pandemia, que a infertilidade é definida pela OMS como doença, assim como a própria OMS define o direito de autonomia dos pacientes e:

– considerando que sob a luz de novas evidências científicas, este posicionamento deverá seguir sendo atualizado em momentos sucessivos;

– considerando que, segundo a literatura médica, não se identificou até o momento a presença de vírus nos gametas e tratos genitais masculino ou feminino;

– considerando que, até o momento, não há evidências a respeito das repercussões do Covid-19 sobre a gestação inicial;

– considerando a preocupação com relação as evidências científicas emergentes quanto à possibilidade de transmissão vertical, isto é, da mãe para o bebê;

– considerando que os serviços de reprodução assistida devam seguir as recomendações governamentais, respeitando as particularidades locais;

– considerando a observação das medidas de distanciamento social, com cuidados na preservação dos pacientes e equipes, quando da assistência;

– considerando as condutas para mitigar a sobrecarga do sistema de saúde local;

– considerando que o adiamento dos tratamentos de reprodução assistida abrange determinados casos extremamente sensíveis ao tempo e, portanto, inadiáveis, com risco de condenar pessoas a uma infertilidade irreversível, ou seja, esterilidade;

– e considerando o respeito à autonomia do paciente;

Recomendam que ciclos de reprodução assistida possam ser realizados sob juízo do profissional assistente, em decisão compartilhada com os usuários do serviço, de forma personalizada, fundamentados e bem documentados, com precaução e bom-senso, evitando-se transferências embrionárias neste momento.

Concluindo, é muito importante que o profissional que atua na Reprodução Humana siga as recomendações das Sociedades de Reprodução Assistida, para que sempre exista o bom senso e o respaldo profissional.

Fonte: https://sbra.com.br/noticias/nota-conjunta-com-atualizacao-de-posicionamento-sobre-a-covid-19-e-os-tratamentos-de-reproducao-assistida/

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.