Mãe que abandonou bebê na rua após depressão fica com a guarda da criança

Bebê foi abandonado pela mãe em fevereiro deste ano, numa calçada do bairro Santos Dumont (Foto: Ygor Andrade)

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Rio Preto, Evandro Pelarin, concedeu a guarda do bebê abandonado em uma calçada, em fevereiro deste ano, para a mãe. A audiência foi realizada na tarde de ontem (26). O bebê, que ficou recolhido no Projeto Teia, será devolvido à mãe nesta quinta-feira.

“Estudos técnicos comprovaram que ela agiu em extrema depressão. Passados cinco meses, recuperou-se. Parecer técnico do Projeto Teia foi favorável à mãe, igualmente ao do promotor de Justiça André Luiz de Souza”, esclareceu Pelarin.

O menino, que na época tinha em torno de 15 dias, foi deixado em uma calçada, perto de uma lixeira, na rua Dr Raul de Carvalho, no bairro Santos Dumont, na madrugada do dia 4 de fevereiro, numa segunda-feira. O recém-nascido estava em uma cadeirinha de mão e foi levado por policiais militares até o Hospital da Criança e Maternidade, onde foi examinado.

O telefonema que avisou a Polícia Militar sobre o local onde estava a criança foi feito pela própria mãe do menino que, durante um surto causado pela depressão pós-parto, não viu alternativas para lidar com a situação a não ser deixar a criança.

“Naquele dia eu não saí de casa pensando que iria deixar meu filho na rua e voltar para ter uma vida normal. A depressão é algo inexplicável, eu sentia desespero e um medo muito grande. Depois que deixei meu menino ali, me arrependi na hora e liguei para a polícia”, relembrou emocionada.

A cabeleireira de 33 anos, moradora de Mirassol, conta que passou a sofrer de depressão no início da gravidez. “Fiquei apática e tinha um bloqueio muito grande até em relação às pessoas próximas a mim. As pessoas me questionam o porquê eu não pedi ajuda. Na verdade estava cercada de pessoas que me amam, mas a depressão me bloqueou, foi um sofrimento muito grande e eu não conseguia me abrir. Vivia minhas angústias e meus medos de forma muito intensa. É uma doença que vai consumindo as pessoas, não desejo a ninguém”, desabafou.

Durante o tempo em que ficou no Projeto Teia, desde o dia em que foi abandonado, o menino recebia visitas semanais da mãe e das irmãs – de seis, quatro e 14 anos, além da família paterna. “O sentimento é de gratidão a Deus por essa oportunidade que me foi dada”, comemorou a mãe.

O pai da criança, que pedia a guarda unilateral, não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto.

Por Karolina GRANCHI

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