Lives: Transmissões online continuam, mas com menor audiência

O que começou entre amigos, parentes e youtubers quase sem expressão, como refúgio contra o isolamento social e a solidão, logo caiu na mídia e conquistou uma legião de artistas, que viram, em alguns casos, uma ótima oportunidade para ganhar dinheiro e também ajudar o próximo com doações durante suas transmissões.

As lives se tornaram uma febre e, em pouco tempo, disputavam espaço com o horário nobre da TV.

Dhoje Interior

Desde março, a procura pelo termo lives no Google começou a crescer.

No início de abril, ocorreram as duas com o maior número de espectadores no Brasil. A primeira foi no dia 4, quando Jorge e Mateus conseguiram uma audiência de 3,24 milhões de espectadores. E a outra, no dia 8, com Marília Mendonça, que bateu o recorde apresentando 3,31 milhões de espectadores.

Os picos pelas buscas por lives ocorreram justamente após essas apresentações, nos dias 19 e 25 de abril, bem como em 02 de maio.

No entanto, o número de lives começou a superlotar as plataformas de streaming, e a audiência começou a diminuir. Já em maio, foi possível notar uma queda de 20% na procura por essa palavra-chave. Em junho, foi registrado apenas um leve aumento no dia 12, quando foi Dia dos Namorados.

No entanto, parece que as lives tem perdido força e o público tem enjoado das transmissões.

O empresário e produtor musical Zé Renato Mioto, diz que no começo os artistas sertanejos tinham o foco em fazer as lives mais despojadas, mostrando sua intimidade unindo com a filantropia, arrecadando toneladas de alimentos e insumos para hospitais, instituições de caridade. “Isso começou a repercutir muito bem com o público que até se uniram em suas casas para assistirem as lives através do YouTube. Depois vieram bons patrocínios para os artistas de maior visibilidade e permitiu que ajudasse no segmento que está parado sofrendo desde março,” afirma.

Mas segundo o produtor musical, com o excesso de lives o público foi perdendo o interesse e os artistas diminuíram o ritmo pra não haver saturação da imagem. “Impedidos de se apresentar devido à pandemia, hoje os artistas estão mais focados nas lives corporativas que são feitas em links privados. Começaram a surgir rodeios em formato de live, como foi o caso de Ibirarema o primeiro rodeio Drive In, e teve participação da dupla local Fiduma e Jeca,” conclui Zé Renato.

O produtor finaliza dizendo que os artistas em geral sentem a falta da proximidade com o público e vice versa, talvez por isso as lives fossem perdendo a força, muitas transmissões simultâneas ao mesmo tempo e as pessoas perderam um pouco do interesse.

O motoboy Marcos Rogério Firmino conta que no começo assistia as lives e hoje não assiste tanto. “Faz tempo que não assisto, eu até comprava petiscos, cerveja pra acompanhar as transmissões, mas agora não vejo mais com tanta frequência, afirma”.

Já a atendente Larissa Pereira diz que gosta de ver as lives dos seus artistas favoritos, Jorge e Mateus, Simone e Simaria e Luan Santana. “É uma forma de conectar o fã do artista enquanto não é possível vê-lo em um show, e também porque você assiste no conforto da sua casa, sem pagar ingresso,” conta.

 

Janaína PEREIRA – Jornal Dhoje Interior