Lar de idosos em tempos de Natal

O envelhecimento é um processo natural da vida. Com o decorrer dos anos, as perdas são inevitáveis.  Perdem-se as forças, a agilidade e a vitalidade da vida. No entanto, não só o corpo sofre com esse processo. O emocional também é abalado, pois muitas pessoas perdem a família. Diante das limitações e das faltas, alguns idosos acabam tendo que ir viver em lares especializados para passar os últimos dias de vida.

Paulo Sérgio é um dos gestores administrativos do Lar São Vicente de Paulo em Rio Preto. Com mais de 80 anos de funcionamento, o lar atente idosos que ainda possuem algum vínculo familiar fora da instituição, mas tem aqueles que não têm mais contato com os parentes próximos. Apesar de serem muito bem tratados no lar, a ausência da família pesa na vida dos idosos.

Dhoje Interior

“Na realidade, mesmo tendo os familiares que têm a necessidade e o lar acaba sendo a última saída para eles poderem morar. Não tem nada que substitui a família. A gente aqui faz de tudo para dar a melhor qualidade de vida para eles. São os nossos queridos, mas a gente tem que reconhecer que a família é tudo para eles. Muitas vezes, a gente pega um idoso triste, chorando e a gente vai questionar a pessoa e ela diz que é a saudade dos filhos, pois nunca mais viu o filho, um parente. Têm idosos aqui que nunca mais viram os seus familiares”, destaca Paulo.

Paulo comenta que no mês de dezembro, inspirados pelo espírito natalino, muitas pessoas doam parte do seu tempo para visitar o lar e, muitas vezes, proporcionam confraternizações natalinas aos idosos. A solidariedade das pessoas nesta época do ano faz toda a diferença na vida de cada uma dos idosos.

“No mês de dezembro que é a época que fomenta muita caridade, a partilha. É um mês que tem uma incidência maior de visitas. Graças a Deus, nós estamos tendo quase três eventos por semana. As pessoas têm necessidade de fazer algo para o bem de outras pessoas, e nada mais gostoso do que dar um carinho, um amor para os idosos”, ressalta.

Maria Aparecida Andrade de Oliveira, de 83 anos, mora no Lar São Vicente de Paulo há quatro anos. Foi ela quem decidiu morar na casa de idosos. Apesar de não ter casado e nem tido filho, ela ainda tem alguns parentes com quem mantêm contato. Ela elogia muito o lar e comenta que as festas de final de ano faz toda a diferença na vida deles que moram na instituição.

“Aqui todos Natal tem festa. Tem dia que a gente está um pouco triste, mas, nos momento de festa, não dá para ter tristeza de jeito nenhum. Fica todo mundo alegre. Eu gosto disso daqui. Para mim, é um prazer muito grande estar no meio das pessoas cantando, brincando. Isso é muito bom”, diz dona Cida.

Irene Fernandes, de 85 anos, chegou ao Lar São Vicente de Paulo há dez anos por conta própria. Em poucos minutos de conversa, ela contou grande parte da sua vida e dos seus gostos. Irene é amante de música, não importa o gênero, gosta muito de conversar e cantar é um dos hobbies favoritos. Ela optou por não casar e nem ter filhos. Tem alguns parentes que moram em São Paulo.

“Eu gosto muito do lar. Aqui é um ótimo lugar. Tenho alguns parentes em São Paulo e falo bastante com eles por telefone e sempre que eles podem, eles vêm me visitar. Neste fim de ano, as festas natalinas fazem toda a diferença em nossa vida. É um momento de cantar, dançar e até mesmo de conversar. A gente aproveita bastante”, destaca Irene.

Para tentar preencher o vazio e tornar o final do ano mais agradável, a equipe do lar oferece várias oficinas aos idosos, que ajudam a decorar o instituto. “Como é uma época de natal, uma época que envolve muitas ações, desde novembro, a nossa equipe, junto com a terapeuta ocupacional e as psicólogas, coloca à disposição deles as oficinas para fazer os enfeites, o que é uma terapia. Isso é importante para eles, pois se sentem úteis e o lar fica enfeitado para a época do Natal”, comenta.