Juiz determina que Ielar mantenha trabalhos educacionais e sociais

Mães com os filhos durante manifestação na Prefeitura, durante a manhã de ontem

Ielar continua com creche e projetos sociais por mais 90 dias

Decisão foi expedida, ontem, pela Vara da Infância e Juventude de Rio Preto.

No início da noite de ontem, logo após um dia de muitos protestos e confusão em frente à Prefeitura de Rio Preto, por conta do fechamento da creche Dona Rosa e dos demais projetos sociais administrados pelo Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar), o juiz da Vara da Infância e Juventude, Evandro Pelarin, expediu uma liminar determinando a continuidade dos atendimentos pela instituição.

De acordo com o documento, o Ielar fica obrigado por lei a manter os serviços educacionais e sociais pelo prazo de 90 dias, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, a ser revertida ao Fundo Municipal dos Diretos da Criança e do Adolescente. A determinação diz ainda que o pagamento dos colaboradores deverá ser feito pelo município diretamente na conta bancária de cada servidor.

A administração do Ielar disse que ainda não foi notificada sobre a determinação, mas que irá colaborar com qualquer medida que venha contribuir com o bem-estar da população.
Cerca de 1,2 mil crianças são atendidas na creche e nos projetos, que até então eram administrados pelo Ielar. Ontem as mães tentaram deixar os filhos nas unidades, como todos os dias, e seguir para os seus trabalhos, porém as escolas não funcionaram. Após isso, mulheres com crianças no colo lotaram o saguão de entrada do Paço Municipal. Houve tumulto e a Guarda Municipal e a Polícia Militar foiram acionadas para garantir a ordem no local.

As manifestantes foram recebidas pelo secretário de governo, Jair Moretti, e Zeca Moreira, chefe de gabinete do Prefeito Edinho Araújo, e levadas para o auditório Juan Bérgua. Lá eles conversaram por mais de 40 minutos e esclareceram dúvidas quanto a alocação das crianças, caso nenhuma outra solução fosse encontrada.

Caso o juiz da Vara da Infância e Juventude não tivesse expedido a liminar, a Prefeitura de Rio Preto já havia se comprometido a manter os atendimentos nos mesmos lugares em que já eram realizados.

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Cremesp propõe arrendamento para reabertura do Ielar

Depois de reunir com o Ministério Público (MP) de Rio Preto, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) pronunciou, ontem, pela primeira vez sobre o fechamento do Ielar. Como solução para o problema, o Conselho propõe que o Hospital seja arrendado para que os atendimentos continuem sendo prestados na cidade.

Segundo o vice-presidente do Conselho, Lavínio Nilton Camarim, a alternativa já foi discutida com o corpo clínico e administrativo do Ielar, com o Ministério Público e, inclusive, com o secretário de Saúde. “O Ielar não pode perder a sua história. A Prefeitura, pensando nisso, poderia tentar resolver todo esse impasse com o arrendamento e assim os médicos envolvidos também receberiam os honorários em atraso”, afirmou Lavínio ao citar também a maioria dos 68 médicos do Hospital que está com pagamento atrasado.

“Onde já se viu num país onde faltam leitos você fechar leitos hospitalares. Nós esperamos que esse impasse seja realmente resolvido”, finalizou o vice-presidente que garantiu que a delegacia regional do Cremesp de Rio Preto continuará acompanhando a discussão.
Com o arrendamento, o Hospital passaria a ter uma nova administração e outra direção, o que para o promotor Sérgio Clementino é um caminho para que os atendimentos voltem a ser prestados no município. “Agora precisa ser visto vários detalhes relacionados às questão jurídicas e financeiras, mas é um caminho que dá para iniciarmos essas conversas, sim. Uma alternativa”, afirmou Clementino que se reunirá, hoje, com o Ielar. A Prefeitura ainda não se pronunciou sobre a proposta.

Saúde faz balanço dos atendimentos em Rio Preto, após fechamento do Ielar

Só no dia de ontem, 1.247 pacientes foram atendidos nas cinco Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Rio Preto. Deste total, segundo o assessor especial da Secretaria de Saúde, Aldenis Borim, somente cinco pacientes aguardam transferência para algum serviço. “Esses cinco pacientes estão dentro da média diária que se espera vaga em algum local. Estamos fazendo o levantamento dos números diariamente, com monitoramento a cada duas horas para atualizar o cenário da saúde na cidade, para que os casos mais graves sejam conduzidos rapidamente.”

O mesmo levantamento revelou ainda que só o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), recebeu 242 chamados e 225 foram resolvidos. Até às 17h de ontem, 17 pacientes ainda aguardavam avaliação para verificar a necessidade de remoção ou atendimento pelo próprio Samu.

Os dois hospitais que passaram a receber pacientes desde o fechamento do Ielar, Hospital de Base e Santa Casa, também já mensuraram os números do primeiro dia de atendimento. A Santa Casa informou que o aumento registrado nos atendimentos foi de 2%. No HB, o volume foi um pouco maior: 8%. Mesmo com os números informados, as duas unidades disseram que o aumento não foi significativo e que tudo está dentro do habitual.

A partir do próximo sábado, cerca de 500 consultas serão atendidas no Ambulatório de Especialidades. O atendimento será sempre no período da manhã, para ajudar os hospitais parceiros no atendimento.

 

Por Jaqueline Barros

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