Jovem com familiares na região estava em sala de aula atacada nos EUA

Foto: Reprodução

Uma adolescente de 16 anos, que estava na sala de aula onde um atirador entrou e matou ao menos 17 pessoas e feriu outras 14, na última quarta-feira (14), na Flórida, nasceu nos Estados Unidos, mas fala português muito bem.

Kemily dos Santos Duchini é filha da brasileira Fabiana Santos, natural de Ilha Solteira. Fabiana vive na terra do tio Sam há 18 anos, mas todo ano ela e a filha passam as férias com a família no noroeste paulista.

Durante o ocorrido, os familiares da região de Kemily acompanharam os momentos de tensão, ao vivo, pela televisão, sabendo que a jovem estava naquele prédio, onde o atirador entrou um um rifle semiautomático AR-15.

Em depoimento por telefone à BBC Brasil, Kemily revelou a perspectiva desesperadora dos estudantes, que tentavam se comunicar com as famílias em meio à varredura policial e aos disparos e gritos, que se tornavam cada vez mais próximos.

A mãe, Fabiana Santos, soube do incidente por SMS, em tempo real, e a jovem registrou o momento com uma imagem:

Foto: Reprodução

“Mãe, tem alguém na minha escola atirando”, dizia a primeira mensagem de texto trocada entre as duas durante o tiroteio.

“Ela disse que tinha um atirador e depois passou muito tempo em silêncio. Eu fiquei desesperada e achei que o pior tinha acontecido. Depois ela reapareceu, disse que estava bem e que não podia usar o celular”, contouSantos à reportagem. “Só me tranquilizei mesmo quando nos encontramos.”

Kemily narra a chegada da polícia à sala de aula e uma intensa circulação de fotos, vídeos e mensagens entre alunos do colégio enquanto o tiroteio acontecia nos corredores. Mais calma que os colegas, ela preferiu esconder um vídeo que mostrava uma estudante ensanguentada um andar acima de sua sala de aula.

A brasileira conta que a experiência a fez repensar a política americana de armas – um dos pontos mais sensíveis da legislação dos EUA e que divide a população entre críticas inflamadas e defesas apaixonadas.

“Eu nunca tinha prestado atenção em gun control (controle de armas), achava que não tinha a ver comigo. Mas, agora que bateu na minha escola e aconteceu comigo, a gente vê de um jeito diferente. Esse menino provavelmete não tinha idade para ter uma arma. Eu não era antes contra o controle. Nem contra nem a favor. Agora eu acho que tem que ser mais regulado.”

De acordo com o noticiário internacional, a polícia aponta Nikolas Cruz como responsável pelo ataque. Ele era aluno da escola onde ocorreu a tragédia e foi expulso por “motivos disciplinares” e está preso.

Além de ter estudado na mesma escola de Kemily, o atirador morou na mesma rua que a família brasileira na cidade de Parkland, que tem cerca de 30 mil habitantes. Cruz perdeu a mãe e novembro de 2017 e foi morar com a família de um amigo, na esquina da casa de Fabiana.

Da REPORTAGEM

(Colaborou Arthur AVILA)

 

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