Jéssica ganha prótese do Lucy Montoro de Rio Preto

A menina Jéssica, de apenas dois anos, foi achada em um lixão, em Angola, passou por tratamento em mais de 20 especialidades no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, Hospital de Base e Hospital da Criança e recebeu uma prótese. Todo o tratamento foi custeado pelo SUS, Sistema Único de Saúde.

Jéssica foi abandonada na cidade de Cabinda, Angola, quando tinha seis dias de vida e pesava apenas 1,9 quilos. Ela foi hospitalizada e, sem nenhum familiar para pegá-la no hospital, a policial Elisa Tungica, 35 anos, a adotou. Como o tratamento na Angola era muito caro, a mãe pegou o dinheiro que tinha guardado, e compraria um carro, para chegar ao Brasil.

“Eles diziam que minha filha não ia sobreviver. Ela era tão pequena e tinha um rosto tão triste. Eu não pude abandonar aquela criança. Jéssica é minha terceira filha, todas adotadas, mas eu pretendo engravidar e ter um filho de sangue. Não haverá diferença, mas esse é meu sonho agora”, explicou Elisa.

Elisa conta que, apesar dos primeiros dias de vida ter sido muito tristes, Jéssica é muito feliz e inteligente. “Os médicos dizem que ela tem um desenvolvimento normal para a idade dela. Eu só consigo ver uma menina feliz, que me trouxe felicidade e alegria. Não sei o que seria da minha vida, se não fosse ela”, contou a mãe.

Entre os procedimentos pelos quais Jéssica passou, tem plásticas na mão direita, que tinham os dedos grudados, e a amputação de um pé, necessária para a melhor adaptação à prótese. “Em alguns casos é necessário fazer essa amputação. No caso de Jéssica, foi importante para melhor adaptação dela à prótese. Durante a fase de adaptação, ela tirava o equipamento e saía engatinhando, agora ela já usa a prótese para correr. Tem dias que não fica quieta”, explicou a fisioterapeuta Kamila Prates Passos.

“Ela é muito corajosa e se deu bem. Em duas semanas já estava andando sem apoio e com total controle do joelho. Agora ela precisa trabalhar para melhorar o equilíbrio, mas já está perfeitamente adaptada”, acrescentou a fisioterapeuta.

A terapeuta ocupacional Camila Gomes Escobar falou sobre o tratamento feito nas mãos da menina. “Jéssica nasceu com dedos menores na mão esquerda e com os dedos grudados na mão direita. Ela passou por cirurgia para desgrudar os dedos e isso fez com que ela passasse a usar mais a mão direita, abandonando a esquerda que tinha os dedos menores. A gente trabalhou muito para ela ter coordenação motora e hoje ela já usa as duas mãos para comer, trocar de roupa, beber água. É uma criança completamente normal”, explicou.
Jéssica e a mãe devem ficar até o final do ano no país para o tratamento, em seguida, retornam para a Angola, onde deve dar prosseguimento ao tratamento. “O Brasil nos acolheu muito bem e pretendemos voltar. Nunca esqueceremos o carinho com que toda a equipe nos recebeu”, completou.

 

Por Bia MENEGILDO

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