“Onda” de calor enlouquece termômetros e aquece vendas

Apesar de não ser oficial, termômetro da Basílica marcava, anteontem, 41 graus

Nem parece que ainda estamos no inverno. A onda de calor acima da média da estação surpreendeu os moradores de várias cidades da região do noroeste paulista. Em Rio Preto, as temperaturas chegaram aos 38 graus, a temperatura mais alta do ano até agora, mas a sensação térmica passou dos 40.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiram um alerta devido as altas na temperatura. O cuidado fica para quem trabalha ao sol, já que podem ter uma insolação ou até mesmo uma hipertermia, que é quando o calor do corpo se eleva acima do normal.

Não é só o ‘calorão’ que preocupa as autoridades em saúde, a umidade do ar vai na contramão e registra índices cada vez mais baixos. Na maior cidade da região, Rio Preto, a umidade ficou abaixo dos 20%, bem distante do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que é acima de 60%.

O presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, José Francisco Kerr Saraiva, afirma que as temperaturas altas no inverno, assim como toda a onda de calor no Estado, podem representar riscos sérios para a saúde, como a desidratação e os riscos de queimaduras.

A recomendação é tomar muito líquido, usar protetores solares, sombrinhas e óculos de sol e buscar permanecer em ambientes mais frescos. Também é recomendável evitar o consumo de alimentos perecíveis, que costumam se deteriorar rapidamente pelo calor.

A onda de calor fez também com que o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) alertasse os motoristas sobre os cuidados ao dirigir nessas condições. Segundo o órgão, a primeira dica é, se possível, não dirigir em horários em que a incidência solar está mais intensa, ou seja, das 11h às 17h.

Se não tiver como escapar do trânsito neste período, o Detran orientou que os motoristas se hidratem tomando água e protegendo a pele com protetor solar ou com roupas térmicas, no caso dos motociclistas, que ficam mais expostos ao sol.

Apesar de todo o calor, o inverno foi um pouco mais frio em Rio Preto, segundo medições da Defesa Civil da cidade. Julho foi o mais gelado, com a mínima média do mês de 13 graus. No mesmo período do ano passado, foi de 14. As máximas também foram menores, em 2019 as médias foram de 28 graus contra 31 no ano passado.

A boa notícia é que a temperatura começa a baixar lentamente no fim de semana, dando uma trégua para os moradores. Será um intervalo pequeno, já que, segundo os meteorologistas, o clima deve voltar a esquentar acima da média.

Há 10 dias para a primavera, o jeito é esperar por dias mais frescos e as famosas pancadas de chuva, características da próxima que se aproxima por aí.

NÃO AGUENTOU O CALOR

A Guarda Civil Municipal (GCM) de Rio Preto e moradores que passavam pela região central se deparavam com uma cena inusitada na manhã desta quinta-feira, dia 12. Uma mulher tirou a roupa e começou a caminhar completamente nua pela rua Bernardino de Campos. O fato por volta das 10h da manhã, quando os termômetros já se aproximavam dos 30 graus.

De acordo com a GCM, a mulher tem transtornos mentais e é conhecida naquela região. Ela foi orientada a se vestir, já que estava com a roupa nas mãos. Não foi registrado nenhum boletim de ocorrência.

Por Vinicius Lopes

Onda de calor intensifica lucros no comércio local 

Quem está rindo à toa com o calor em Rio Preto são os comerciantes. As vendas de sorvetes, sucos e açaí dispararam nos últimos dias. E as delícias geladas agradam crianças e adultos.

A ida na sorveteria é um momento de descontração e alegria para a autônoma Nayara M. Alves Piloto, de 30 anos, e para o filho dela, o pequeno Arthur Alves Vieira, de 6. “Neste calorão adoramos estar passeando e aproveitamos para tomar bastante sorvete”, contou.
Daniel de Oliveira, gerente de uma sorveteria, explicou que esse calor intenso reflete positivamente nos lucros. “Gostaríamos que houvesse essa média de venda durante o ano todo”, disse.

E a procura é grande. O gerente relatou que só nesta semana de ‘calorão’ uma média de 500 a 1000 pessoas por dia frequentaram o estabelecimento. “Precisamos nos programar e trabalhar para dar conta da demanda. Nestes dias conseguimos atingir praticamente 100% das metas de vendas”, acrescentou.

De acordo com o Sindicato de Comércio Varejista, também houve crescimento na procura por ventiladores e afins.

Além da compra destes eletrodomésticos ser causada pelo excesso do calor, as promoções da Semana do Brasil, que termina no próximo dia 15, é um dos principais fatores que explicam este estímulo.

Por Ana Eliza Barreiro

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