Intervenção de dança ocupa avenida Andaló por oito horas em São José do Rio Preto neste domingo, 20/10

Andrea Capelli em Urbanidades - Foto Fabio Luppi .

Como e para quê o ser humano dedica a sua existência? De que forma o sistema, a sociedade, o Estado e o poder interferem em sua caminhada, em suas tomadas de decisões? De que maneira o ser humano se relaciona com o outro, com a natureza, com o consumo?

Essas são algumas questões trabalhadas na intervenção urbana de dança “Sentimentos Privados em Lugares Públicos”, do Fuztasi Coletivo Multimídia, que neste domingo (20/10) ocupará, das 10h às 18h, uma das principais avenidas de São José do Rio Preto (SP), a Alberto Andaló.

Na intervenção, uma mulher, interpretada pela atriz e bailarina Andrea Capelli, tem a sua vida comparada à trajetória de um rio, que segue seu curso canalizado, “esmagado” pelo concreto. O corpo da bailarina realiza o percurso da avenida durante oito horas, criando movimentos que remetem à condição humana, sua precariedade e finitude, e possibilitam ao espectador, pedestres e motoristas, a elaboração de seu próprio ponto de vista acerca das imagens.

A Avenida Alberto Andaló receberá a intervenção em seus canteiros centrais, com início embaixo do pontilhão da rodovia Washington Luís, seguindo em direção ao centro. A intervenção será realizada para captação de imagens da vídeo-dança também chamada “Sentimentos Privados em Lugares Públicos”, a ser lançada posteriormente dentro do projeto.

“Já há algum tempo, desde o projeto Breu, em 2015, e mais recentemente, com o espetáculo Corpo Lentes, desde ano passado, venho performando em espaços públicos, como ruas, terminal rodoviário, linha do trem, e algumas vezes por várias horas. Desta vez, no entanto, é um dia todo, o que me encanta e assusta, ao mesmo tempo”, conta Capelli, fundadora do Fuztasi ao lado de Guilherme Di Curzio. “Não fiz uma preparação física específica para isso. Estou indo para esta experiência carregando uma bagagem da vida toda e disposta a vivê-la intensamente. Estou ansiosa e muito motivada para fazer este trabalho. Respeitaremos os nossos limites”, fala a artista.

“Sentimentos Privados em Lugares Públicos” marca oficialmente o nascimento do coletivo multimídia, que se apresenta como um agrupamento de artistas que pesquisa a fusão das linguagens da dança e do audiovisual. O trabalho encerra a trilogia “Locomoções”, iniciada com “Corpo/Lentes”, de 2018, espetáculo performativo que une a dança com o vídeo, e “Urbanidades”, vídeo-arte lançada neste ano, unindo a cidade com a dança.

Voltado essencialmente ao humano, “Sentimentos Privados em Lugares Públicos” também inaugura a parceria artística com o diretor Jef Telles, fundador do Agrupamento Núcleo 2, com sua pesquisa nas artes integradas. “Desde o início, fiquei muito interessado no trabalho deles. No começo deste ano, veio o convite e comecei a entender melhor o que buscavam, me colocando junto nessa pesquisa da dança com o audiovisual, que é uma questão que o Núcleo 2 sempre desenvolveu dentro das artes integradas. É nesse lugar que de certa forma misturamos um pouco a pesquisa dos dois coletivos e onde consigo contribuir mais nessas experimentações urbanas envolvendo o movimento da cidade, o movimento do corpo e o vídeo”, explica.

A bailarina Andrea Capelli pontua que com “Sentimentos Privados em Lugares Públicos” mantém-se o interesse na cidade, e mais profundamente na cidade que o coletivo habita. “Sua história foi se revelando cada vez mais, também. Olhamos a arquitetura, o trânsito, as pessoas e, nesta obra final, fomos atraídos pela história do rio. Rio que sabemos viver sob a principal avenida da cidade. Rio que tantas vezes se revoltou e mostrou sua força e bravura, mesmo que invisível a nossos olhos, na maior parte do tempo”, afirma, referindo-se às águas do Córrego Canela, que está canalizado na Avenida Alberto Andaló e já recebeu várias obras de contenção de enchentes.

“Por muito tempo, a Avenida Alberto Andaló foi aquela que reunia toda a imagem de riqueza da cidade. Ainda tem sua importância, mas até isso é um questionamento nosso. Chegamos ao coração e reviraremos as veias que irrigam este sistema circulatório. Enfim, seguimos porosos e abertos ao entendimento e à vivência da cidade”, acrescenta.

O projeto conta com direção audiovisual e edição de Guilherme Di Curzio. A direc?a~o de arte é de Léo Bauab e a produção, de Daniela Hono?rio.

Na intervenção, também participam os músicos João Bolzan e Mauricio Zacarias, além de Ane Carolina, Leticia Banzatto, Leticia Nascimento, Murilo Gussi e Ramires Felix. Vinicius de Barros Santos faz uma participação especial e Pedro Junior Martins é assistente de produção.

O projeto “Sentimentos Privados em Lugares Públicos” foi um dos selecionados pelo Prêmio Nelson Seixas 2019, da Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. A proposta foi vencedora na modalidade Dança.

Serviço:

Sentimentos Privados em Lugares Públicos, com Fuztasi Coletivo Multimídia. Domingo (20/10), das 10h às 18h, na Avenida Alberto Andaló (com início embaixo do pontilhão da rodovia Washington Luís, indo em direção ao centro) – São José do Rio Preto/SP. Grátis. Livre.

Sinopse:

Sobre as águas do córrego Canela a construção da cidade, o movimento das rodas e dos corpos. Como um rio, a dança solitária de uma profusão de sentimentos: privados ao silêncio das palavras, a vida continua passando nessa floresta pública, invisível aos olhos de um canteiro central.

Ficha técnica:

Intérprete: Andrea Capelli

Músicos: João Bolzan e Mauricio Zacarias

Participação fundamental: Ane Carolina, Leticia Banzatto, Leticia Nascimento, Murilo Gussi e Ramires Felix

Participação especial: Vinicius de Barros Santos

Direção audiovisual e edição: Guilherme Di Curzio

Operador de câmera: Fernando Macaco

Direção de arte: Léo Bauab

Produção: Daniela Honorio

Assistente de produção: Pedro Junior Martins

Assessoria de imprensa: Graziela Delalibera

Concepção e direção geral: Jef Telles

Da REDAÇÃO

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