Interesse em ser professor diminui no Brasil

“Já tive vários problemas dentro da sala de aula. Um aluno já me ameaçou de morte na frente dos colegas, enfrentei ele para mostrar que sou autoridade dentro da sala. Isso me desanima muito”. Esse é o relato Evete Bigotto, professora de geografia na rede pública. Além dela, vários professores já sofreram algum tipo de ameaça.

Um relatório Políticas Eficientes para Professores, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que nos dias atuais, apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão. Há dez anos, o porcentual era de 7,5%. Segundo o estudo, a baixa atratividade da carreira se deve ao pouco reconhecimento social e aos salários.

O professor Fernando Ferrari, do Departamento de Ciência da Computação e Estatística da Unesp diz que vários fatores contribuem para o desinteresse na profissão “O desinteresse na área, principalmente na parte pública se deve ao baixo salário, alunos desinteressados e a violência. Nas escolas particulares esses problemas quase não aparecem.”

”A droga está muito presente nas escolas públicas. Uma mãe que da aula em escola pública, dificilmente vai incentivar o filho a virar professor também. Aqui na Unesp, os alunos que se formam, fazem vários cursos para irem dar aula em escolas particulares, ninguém mais quer ir para a pública”, explica o professor.

Na opinião dele a saída para isso nem é tão difícil. Aumentar salários, criar um plano de carreira e desenvolver cursos de formação são ações que precisam ser colocadas em prática. “Faltam investimentos do governo. 50% das vagas aqui na Unesp são reservadas para estudante de escolas públicas. Se o governo investisse, e as escolas públicas fossem iguais as particulares, não precisaria disso. Iriam concorrer de igual para igual.”

No Brasil o cenário da educação é o baixo salário, a violência, falta de apoio do governo. No entanto, um cenário que não é favorável não justifica a má formação de professores “Muitos professores são mal formados. Não buscam mais conhecimentos, não buscam cursos e no final acabam ensinando da maneira errada. Isso pode prejudica muito no futuro dos alunos que tem interesse de aprender”, finaliza o professor Fernando.(Colaborou: Leo BIGOTTO CARON)

 

Da REPORTAGEM

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