Inadimplência entre idosos aumenta por dificuldade de pagar contas de água, luz e gás

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Um estudo, realizado pela Serasa Experian, em julho, revela que aumentou o número de idoso que deixaram de pagar contas básicas, como de água, de luz e de gás, o que gerou o crescimento da inadimplência entre pessoas com mais de 61 anos. Os dados mostram que, enquanto 19,40% da população em geral passaram a não pagar as contas básicas, a porcentagem de idosos com a mesma dívida chega a 34,30%, o que representa uma diferença de 14,9 pontos percentuais.

De acordo com Luiz Rabi, economista da Serasa Experian, a crise econômica a que o país vem enfrentando é um dos principais motivos do aumento do endividamento da população. A questão dos idosos tem relação direta com o desemprego de parentes próximos. “A inadimplência dos idosos é resultado da crise financeira a qual estamos vivendo. Nesse cenário, chefes de família perderam o emprego e ficaram sem fonte de renda. Com isso, recorreram aos idosos para ajudar nas despensas. Com o objetivo de ajudar os familiares, aumentou o número de aposentados em busca de crédito consignado. Por conta do empréstimo, a renda do idoso caiu e gera a dificuldade de pagar as contas pessoais como de gás, de luz e de água”, comenta.

Além das contas básicas, os idosos têm acumulado dívidas em outros setores. Segundo dados do Serasa Experian, os mais velhos operam no vermelho também em bancos e cartões (27,80%), telefonia (10,70%), financeiras e leasing (9,00%), varejo (7,40%) e serviços (6,00%). O estudo ainda mostra que, em julho de 2018, o número de idosos inadimplentes aumentou 10% em relação ao mesmo período de 2017. Este ano, 8,8 milhões de idosos passaram a ter contas atrasadas, enquanto no ano passado correspondia a 8 milhões.

Outro aumento significativo observado foi o valor total das dívidas entre os idosos com mais de 61 anos. Em julho de 2017, as dívidas dos idosos chegaram a 37,4 bilhões. Este ano, a inadimplência atingiu os 41,1 bilhões. Em média, cada idoso tem uma dívida de R$ 4.688,00. De acordo com os estudos, o estado de São Paulo lidera no ranking com 21,04% dos endividados, seguido do Rio de Janeiro (12,2) e Minas Gerais (9,9%). Embora os idosos não sejam a parte da população mais endividada, foram entre eles que mais aumentou o número de inadimplentes.

Para Rabi, o problema da inadimplência entre os idosos, principalmente relacionado às contas básicas, só vai começar a mudar quando a economia retomar o crescimento. Enquanto isso, as expectativas são pequenas. “O problema da inadimplência entre os idosos e, no geral também, só vai ser resolvido quando a economia começar a crescer novamente. Assim, as pessoas vão passar a ter emprego e com a volta da renda, os idosos vão conseguir quitar os créditos e voltar a ter condição de lidar com as contas”, destaca o economista. Conteúdo especial: Leandro BRITO

 

Da REPORTAGEM

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