Desidratação castiga mais os idosos e verão é considerado período crítico

Aposentado Carlos, com a garrafa de água, sua companheira diária (Foto: Verônica MAESTRELLA)

A desidratação é um dos maiores riscos para a saúde dos idosos. Eles são mais vulneráveis e desidratam com maior facilidade, segundo especialistas. A desidratação está relacionada não apenas a pouca ingestão de líquidos, mas também a alguns medicamentos que são frequentes como, por exemplo, os diuréticos que são indicados quando o paciente tem problema cardíaco ou renal.

O geriatra João de Castilho afirma que todo idoso é excessivamente preocupado com o funcionamento de seu intestino. “Eles fazem o uso muitas vezes sem indicações de profissionais da saúde, os laxantes, por exemplo, desencadeiam episódios de diarréia que também facilitam a perda de líquidos e isso faz com que aconteça a desidratação’’, explica.

A intoxicação alimentar, nesta época de verão, é muito frequente. O idoso está em casa, e não se atenta a algum alimento que está fora do vencimento, ou fora da geladeira, e isso piora a desidratação.

“Estado febril agudo pode condicionar febre e isso faz com que a necessidade de ingestão hídrica seja maior para atenuar o calor. Da mesma forma que existe a exposição externa, o calor produzido internamente por infecções, como respiratória e urinária, que são situações comuns que podem predispor um quadro de desidratação”, acrescenta.

O médico ressalta que os idosos são muitos diferentes entre si. “Classificamos os idosos em relação a idade em três grupos, os idosos jovens que são aqueles que vão de 60 a 74 anos, os idosos de 75 a 84 anos e os idosos muito idosos, aqueles que têm mais de 85 anos. A idade cronológica não é um parâmetro muito bom para avaliarmos o estado de saúde na terceira idade, mas geralmente aqueles que têm mais de 65 anos possuem uma tendência a apresentar mais doenças e usar mais medicamentos. Com várias doenças e vários medicamentos, se predispõem à desidratação’’, observa.

“O grande sinal de desidratação é uma mudança de comportamento, se o indivíduo fica mais letárgico, apresenta quadro de delírio, alucinação, diminui muito o volume urinário, coração acelerado, e tonturas ou episódios de semi desmaio, isso já são sinais inespecíficos, mas que exigem que a gente pense que esse indivíduo pode estar desidratado’’, salienta.

O aposentado Carlos Maestrella, 84 anos, diz que sempre se mantém hidratado. ‘’Desde quando eu era muito novo, sempre fui de cuidar da minha saúde. Andei muitos anos de bicicleta e como moro próximo a pista de caminhada do aeroporto faço caminhada todos os dias, e bebo muita água. Minha garrafa sempre está comigo. Se manter hidratado é muito importante para nossa saúde e bem-estar”, opina.

O geriatra informa que em algumas épocas do ano, a tendência a desidratação é maior.

“No verão, diferente do jovem que o organismo consegue se adaptar mais à exposição ao calor excessivo, o idoso não. O líquido no organismo funciona como um tampão térmico, então quando o idoso está exposto a uma temperatura elevada é necessário que tenha uma quantidade de líquido boa no organismo, para que consiga termodiluir aquele calor que recebe do meio externo e mantenha uma temperatura interna adequada. No calor intenso é necessário cuidado redobrado para que a gente consiga suprir a necessidade e evite que o idoso entre em desidratação”, frisa.

Geralmente a necessidade hídrica de um idoso é em torno de 30ml por kg de peso, então se a pessoa pesa 70 quilos precisa ingerir em torno de 2 litros de água por dia e isso não é muito fácil de conseguir. É sempre bom ter uma garrafinha ao lado e ir tomando durante o dia.

Já a aposentada Alice Tassinari, 82 anos, conta que não é muito de beber água. “Eu tomo muitos medicamentos, devido a diversos problemas, porém a minha filha sempre insiste pra que eu beba mais água durante o dia. Estou praticando beber mais água, pra ajudar na minha saúde”, finaliza.

Por Verônica MAESTRELLA

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS