HCM realiza caminhada para conscientização da cardiopatia congênita

Neste sábado (9) o Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto promove a I Caminhada de Conscientização da Cardiopatia Congênita, que será realizada na Praça do Vivendas, de forma gratuita, a partir das 8h. Toda a população é convidada a participar.

O evento tem o intuito de chamar a atenção do poder público, pois nem a metade das crianças com cardiopatia congênita consegue ser operada no país, devido à escassez de centros de saúde que disponibilizem esse atendimento especializado. No Brasil há apenas 10 unidades, assim como o HCM, que oferecem o atendimento e cirurgia cardiovascular pediátrica.

“Essa primeira caminhada para a conscientização da cardiopatia congênita tem dois intuitos básicos, o primeiro é conscientizar a população de que nascem muitas crianças com problema no coração e o segundo é conscientizar o poder público de que essas crianças nascem e que a maior parte delas não consegue ser atendida”, disse o médico Ulisses Croti, chefe do Serviço de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular Pediátrica (SECCAP).

De cada 120 crianças que nascem no país, uma tem problema no coração. “No Brasil nascem aproximadamente 2,3 milhões de crianças, então nascem aproximadamente 20 mil crianças com problemas no coração no país, por ano. Menos da metade delas, em torno de oito a 10 mil que conseguem tratamento”, explicou.

O médico ressalta que os exames que detectam algum problema no coração da criança podem ser feitos ainda na gravidez. “Toda gestante precisa entre 24 e 28 semanas de gravidez pedir para que o médico solicite o exame de ecocardiograma fetal. Esse exame vai mostrar se o coraçãozinho da criança tem algum problema ou não. É muito importante se ter um diagnóstico antes do nascimento”, ressaltou.

Quando esse exame não é possível ser feito durante a gravidez, é possível fazer o teste do coraçãozinho, antes da criança ter alta após o nascimento. “Esse exame não tem custo e detecta um grande número de cardiopatias graves e é Lei desde 2014”.

Com a demora no tratamento da cardiopatia o pulmão é o órgão que começa a ser afetado. “Todos os órgãos sofrem, mas quando passa um determinado ponto que esse pulmão fica doente, não tem mais como reverter o quadro. Às vezes a vida da criança vai ser limitada ou ela vai morrer antes da hora, viver menos do que ela poderia viver”.

O pequeno Luiz Fernando Santos Lopes, de apenas nove anos veio do Macapá para ser atendido no HCM e foi operado na última terça-feira (5). Ele sofria com um sopro, um grande orifício no coração, o que causava desmaios espontâneos, dificultando no ganho de peso e até mesmo no rendimento escolar. No início de abril ficou constatado o sopro no coração. “Em Macapá a gente ia esperar de um a dois anos e quando demos entrada, em uma semana nos chamaram pro HCM. Agora é só ele se recuperar para a gente voltar pra casa”, disse a mãe Jilvana dos Santos. Ela revela qual o sonho do menino ao crescer. “Ele quer ser um tenente do Bope”, concluiu.

Hospital do Coração da Criança de Rio Preto

Diante da grande prevalência de crianças com cardiopatia congênita, uma a cada 120 nascidas no país, há a possibilidade da criação de um Hospital do Coração da Criança, tornando Rio Preto um centro de referência nessa área da saúde.

“Estamos propondo a construção do primeiro Hospital do Coração da Criança em Rio Preto. Assim como Barretos é conhecido como um centro de tratamento de câncer, como Bauru é reconhecido com centro de tratamento da fenda palatina, Rio Preto pode entrar no cenário nacional como um centro de tratamento do coração da criança”, destacou Croti.

O projeto ainda está em fase de discussão com diretorias da Funfarme e Famerp. “Nós estamos vislumbrando a possibilidade de construir esse hospital em frente ao Hospital da Criança (HCM)”.

Atualmente a equipe do HCM conta com mais de 100 profissionais, voltados ao tratamento do coração de criança e realiza anualmente cerca de 350 operações cardiovasculares pediátricas. “O nosso objetivo é construir esse hospital para poder atingir 1200 crianças operadas ao ano. Isso seria o maior volume do Brasil, não tem nenhum centro que faz todo esse volume. Desta forma a gente conseguiria diminuir o número de crianças que morrem na fila de outros Estados do país”, ressaltou.

Por Priscila CARVALHO

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