Greve sem fim: com grande apoio, caminhoneiros fazem carreata e criticam presidente

Carretas marcaram o dia em Rio Preto nesta sexta-feira; caminhoneiros, apoiados por vários setores, percorreram as principais avenidas da cidade

Em dia de pronunciamento do presidente Michel Temer, a greve dos caminhoneiros, que lutam contra o preço do diesel, segue sem perspectiva para acabar e chegou ao quinto dia, nesta sexta-feira (25), recebendo apoio de várias entidades como mototaxistas, motoristas de aplicativos, taxistas, motoristas de vans e a população em geral, durante carreatas realizadas em Rio Preto, nos períodos da manhã e no final da tarde.

Ao todo, contanto as duas manifestações, mais de 100 veículos percorreram as avenidas Cenobelino de Barros Serra, Ernesto Vetorasso, Bady Bassitt, Juscelino Kubitschek, Francisco Chagas, José Munia, Alberto Andaló, além de passarem pelas ruas Penita e Pedro Amaral.

Presidente da associação de motoristas de Rio Preto, Rogério Marcos Moraes comentou sobre o depoimento do presidente, que, no início da tarde havia dito que o governo buscou o diálogo e o caminho da negociação com os caminhoneiros, mas lamentou o radicalismo de setores do movimento, que impedem o acordo, bloqueiam estradas e geram risco de desabastecimento no país.

“A categoria, todo mundo, não aceita, não aceitou. Ele disse que vai usar as Forças Nacionais para nos tirar, disse que é uma pequena quantidade de arruaceiro, bagunceiro. Aqui não tem bagunceiro. Aqui tem pai de família, trabalhador, que está levando o Brasil nas costas e não está tendo reconhecimento. Não estamos usando a força para parar ninguém. O direito de ir e vir está aí. Saiu uma liminar ontem (quinta-feira), às 21h, que não era para gente se manifestar em frente ao portão 340 da empresa Ipiranga. E atendemos a liminar imediatamente e o local não está obstruído, mas o trabalhador e o caminhoneiro, o motorista, o dono de frota, não atende. Eles não querem tirar o caminhão para rodar do jeito que está o Brasil”, disse Moraes.

Ainda sobre as declarações do presidente Michel Temer, que afirmou que os 12 pontos colocados pelo movimento de paralisação foram atendidos pelo governo e que pretende retomar as negociações com os caminhoneiros, depois de a normalidade ser restabelecida no país, Rogério Marcos Moraes não acredita que a greve termine tão cedo.

“Até ele (presidente) dar uma posição concreta faremos a greve. Ele vem chamar os motoristas, a classe, a população de arruaceiro. Arruaceiro é ele que fica com a bunda lá no Senado”, esbravejou o presidente associação de motoristas de Rio Preto, afirmando que caso Temer não solucione o problema, a saída será uma só. “Tem outra solução. A intervenção militar já. Se ele não consegue resolver é intervenção militar já”, concluiu Moraes.

Consequências

Além das carretas realizadas, novamente os manifestantes protestaram nas rodovias Assis Chateaubriand e Washington Luís, por Rio Preto e região. O quinto dia da greve dos caminhoneiros segue gerando vários transtornos para inúmeros setores. Entre eles, o mais afetado segue sendo, por enquanto, os postos de combustíveis, que de acordo com o presidente do Sincopetro de Rio Preto, Roberto Uehara, já deixou mais de 80 postos sem nenhum combustível.

“Pouquíssimos postos estão com combustíveis. Só os postos das grandes redes estão com combustível. Mas isso não é só em Rio Preto, na região toda”, afirmou Uehara, lembrando que em Rio Preto existem 140 postos.

Além dos postos, outro serviço de utilidade pública, como o transporte público de Rio Preto, anunciou, no fim da tarde desta sexta-feira, que será necessária, a partir desta noite, a redução de 50% nas partidas de ônibus do terminal urbano, exceto nos horários de considerados de pico (das 5h30 às 8h e das 16h30 às 19h). A redução também vale para domingo durante todo o dia e durante a tarde e noite deste sábado.

Também no início da noite desta sexta-feira, o Semae (Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto de Rio Preto) enviou um comunicado pedindo à população que economize o consumo de água potável. Já que em função da paralisação dos caminhoneiros, a autarquia deixou de receber, esta semana, produtos químicos utilizados no tratamento da água. Caso o fornecimento não seja normalizado, o estoque do Semae é suficiente para até a próxima quinta-feira. A partir dessa data, a ETA – Estação de Tratamento de Água, responsável por 25% do abastecimento da cidade, enfrentará dificuldades para operar.

Ainda segundo a autarquia, os principais produtos, fundamentais para o tratamento da água, que estão com suas entregas comprometidas são: hipoclorito de sódio, cloreto férrico, cal hidratada e ácido fluossilícico. O Semae também informa que colocou em pratica um contingenciamento na ETA, reduzindo a produção e aumentando o fornecimento de água subterrânea.

Por Marcelo Schaffauser

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