FIT Rio Preto tem lotação máxima em todos os espetáculos

O Graneleiro recebeu a peça ‘Elza’ na abertura do Festival Internacional de Teatro

Há cinco dias, Rio Preto respira e vive teatro. Desde o início do Festival Internacional de Teatro, no último dia 4, a cidade deu espaço a obras e apresentações em ruas, palcos e espaços alternativos.

Em sua 19ª edição (Internacional), o FIT 2019 conta com 34 obras espalhadas em 25 locais. Até o último dia de evento, no dia 13, serão mais de 60 apresentações com espetáculos dos países de Gana, Irã, México e Bolívia. Além de artistas internacionais, o FIT recebe peças teatrais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Amapá e Piauí. Além das produções rio-pretenses, o evento conta ainda com ações formativas, com mesas, rodas de conversa e entrevistas, e um ponto de encontro, no Graneleiro, dentro do complexo Swift, com shows, performances e intervenções artísticas que unem diversas linguagens.

De acordo com a assessoria de imprensa do evento, ainda não há um balanço em relação ao público durante as apresentações, mas até o momento todos os espetáculos do Festival receberam lotação máxima de público. “Todos lotados. Inclusive as atividades formativas e o próprio Graneleiro. O público esperado para esta edição do Festival é de 50 mil pessoas em todos os espetáculos e atividades”, disse a Secretaria de Cultura em nota.

A curiosidade do FIT 2019 fica por conta da programação, rica em tudo que é novidade no cenário teatral no Brasil e no mundo. Uma delas é o espetáculo de rua ‘Cegos’, no qual parte do elenco é composto por pessoas de Rio Preto e que, não necessariamente, são atores. As apresentações acontecem na quinta e sexta-feira, dias 11 e 12. Os interessados em participar manifestaram interesse por meio do site, durante período de inscrição. Vão passar por uma orientação prévia e vão se apresentar juntamente com os atores da companhia Desvio Coletivo, de São Paulo. Outra curiosidade está na peça ‘Os Minutos que se Vão com o Tempo’. Ela é encenada dentro de um ônibus de linha comum em movimento. O coletivo vai seguir a rota normal, com passageiros entrando e saindo normalmente, seguindo o roteiro diário. Enquanto haverá pessoas que estarão lá dentro para ver a peça, outras estarão apenas se locomovendo e vão se deparar com o teatro acontecendo. Hoje, 9, às 16h, com saída do Terminal Urbano. A montagem é da companhia paulistana Zózima Trupe.

Vale também destaque para a ‘Peça para Adultos Feita por Crianças’ que é, literalmente, uma peça apresentada por crianças destinado ao público adulto. Nela, os atores mirins partem de ‘Hamlet’ para tratar questões como o transumano e o antropocentrismo, sob a ótica do universo infantil, com o público. A apresentação acontece hoje, dia 9, às 19h.

A atriz ganense Va Bene Fiatsi traz a Rio Preto três espetáculos carregados de peculiaridades. No espetáculo AgbanWu (‘Velório’), uma estrutura composta por ‘espinhos gigantes’ que formam o cenário está sendo produzida em Rio Preto, uma vez que a construção de uma na cidade é mais viável que o transporte da que a atriz utiliza em Gana.

A apresentação é hoje, terça, dia 9, às 18h, na Swift, com entrada grátis.
Realizado pela Prefeitura Municipal de Rio Preto e pelo Sesc São Paulo, atinge três marcas importantes na área cultural, em 2019; 50 anos de existência, 40 edições realizadas e mais de 1.200 diferentes espetáculos apresentados ao longo desse período.

Para marcar a data, a Prefeitura de Rio Preto, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, preparou o livro-catálogo ‘FIT 50 ANOS DE (RE)EXISTÊNCIA)’, que será lançado no dia 11, às 20h30, no mezanino da Swift. O catálogo é um compilado de fotos especiais e profunda pesquisa histórica sobre o Festival, que é um dos mais longevos e expressivos eventos do gênero no Brasil, compõem catálogo.

“Para a Prefeitura de Rio Preto, é motivo de orgulho comemorar os 50 anos do nosso Festival de Teatro. Temos a responsabilidade pública de manter vivo um dos principais projetos culturais do Brasil, que é o FIT Rio Preto”, disse o prefeito, Edinho Araújo.

O livro-catálogo está repleto de lembranças, de histórias, de passagens que marcaram não apenas Rio Preto, mas a cena teatral brasileira. O escritor e jornalista Raul Marques, autor dos textos e organizador da publicação, contou com a colaboração de 25 profissionais, de diversos setores, ligados ao Festival e ao próprio teatro, para o desenvolvimento do conteúdo.

A proposta deste livro-catálogo surgiu justamente para resguardar, com a devida deferência, os principais momentos, fatos e acontecimentos dos primeiros 50 anos do Festival de Teatro de São José do Rio Preto.

No site www.fitriopreto.com.br você acompanha a grade de programação completa, ingressos disponíveis e atrações gratuitas.

Sindicato dos Artistas e Técnicos visita a cidade durante o festival 

Com o objetivo de garantir a proteção dos artistas e técnicos da região, o presidente do Sated-SP (Sindicato dos Artistas e Técnicos do Estado de São Paulo), Dorberto Carvalho, visita Rio Preto hoje para um amplo debate junto aos organizadores do festival, reiterando a importância do festival no calendário estadual da cultura.

O encontro será de diálogo para que a lei 6533/78, artigo 25, seja cumprida. “Sempre tivemos um bom entendimento com o festival e temos certeza de que os organizadores e acima de tudo a administração municipal quer manter um excelente nível de excelência, pauta no que prega a lei”.

A lei 6533/78, de 24 de maio de 1978, dispõe sobre a regulamentação das profissões de artista e de técnico em espetáculos de diversões. Dorberto, que assumiu o sindicato há cerca de um ano e meio, após 32 anos com uma mesma diretoria quer valorizar a classe.

“Assumimos num momento crucial para a defesa do setor cultural no Brasil, em um momento de grande debate sobre a valorização e posicionamento do artista. Nunca tivemos um artista tão protagonista como agora. A classe artística não pode, em momento algum, ficar à margem da lei e do anonimato. Estou aqui para defender esta luta e fazer valer a lei que regulamenta a profissão dos artistas e técnicos. Um evento do porte internacional como o FIT tem que ser o exemplo para os outros do país”, salientou.

Dorberto afirmou irá procurar Jorge Vermelho, um dos coordenadores do FIT, referente ao ajuste do artigo 25 da referida lei.

Por Jaqueline BARROS

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS