FIT Rio Preto começa hoje e terá mais de 60 apresentações

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O premiado musical ‘Elza’, que canta e conta a história de Elza Soares, abre o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto-SP (FIT Rio Preto) nesta quinta-feira, dia 4, às 19h30. A apresentação aberta ao público e gratuita será no Anfiteatro Nelson Castro, na Represa Municipal.

Em 2019, o festival completa 50 anos de história, sendo esta a 19ª edição internacional. O FIT Rio Preto traz 34 obras que ocuparão 25 locais da cidade, em mais de 60 apresentações. Por meio de mesas, rodas de conversa e entrevistas, a edição contempla 15 ações formativas, além do Painel Crítico.

Dhoje Interior

Ponto de encontro do festival, o Graneleiro recebe 26 atrações gratuitas, entre shows, performances e intervenções artísticas. O FIT 2019 traz ainda dois projetos especiais: lançamento do livro-catálogo ‘Festival de Teatro de São José do Rio Preto – 50 Anos de (Re)Existência’ e lançamento com leitura dramática da obra Fiz bem?/J’ai bien fait, da dramaturga francesa Pauline Sales, traduzida por Pedro Kosovski (Rio de Janeiro/RJ).

Retratando as mais diversas fases de Elza Soares, cuja trajetória é sinônimo de resistência e reinvenção, o espetáculo ‘Elza’ foge do formato convencional das biografias musicais. No palco, Larissa Luz, Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim se dividem ao viver a cantora e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos de Elza Soares, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde ela se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), com quem a cantora protagonizou um notório relacionamento.

Músicas recentes (‘A Mulher do Fim do Mundo’, a emblemática ‘A Carne’ e ‘Maria da Vila Matilde’) se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como ‘Se Acaso Você Chegasse’, ‘Lama’, ‘Malandro’, ‘Lata D’Água’ e ‘Cadeira Vazia’.

A montagem tem texto inédito de Vinícius Calderoni, vencedor do Prêmio APCA de Melhor Dramaturgia, e direção de Duda Maia. Quem assina a direção musical é Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet. O maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora. O projeto foi idealizado por Andrea Alves, da Sarau Agência, do Rio de Janeiro/RJ, a partir de um convite da própria Elza e de seus produtores, Juliano Almeida e Pedro Loureiro.

Marcam presença na abertura do festival o prefeito Edinho Araújo, o Secretário de Cultura, Pedro Ganga, o diretor do Sesc SP, Danilo Santos de Miranda, o gerente do Sesc Rio Preto, Sebastião Martins, além dos fundadores do festival, Humberto Sinibaldi Neto, José Eduardo Vendramini e Moema do Valle, representando a saudosa Dinorath do Valle.

É esperado um público de três mil pessoas no Anfiteatro Nelson Castro. Haverá estrutura com banheiros químicos e a presença da Guarda Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Samu, para a segurança e bem estar do público presente.

Sobre o festival

Realizado pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto e pelo Sesc São Paulo, o FIT Rio Preto anualmente leva aos palcos, às ruas e espaços alternativos o diálogo e as possibilidades de leitura do mundo contemporâneo. A programação deste ano acontece de 4 a 13 de julho.

O evento é um importante espaço de discussão e reflexão sobre as artes cênicas e suas conexões. Criado em 1969 pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto como Festival Nacional de Teatro Amador, em 2001 ampliou suas fronteiras e assumiu dimensão internacional, a partir de uma parceria com o Sesc São Paulo.

A edição 2019 do FIT Rio Preto caracteriza-se por propor uma programação de grande valor artístico, estético e de reflexão crítica. A programação é aberta às mais diferentes tendências contemporâneas das artes cênicas. Nesse sentido, antes do que buscar obras que tratassem de determinados assuntos ou questões, buscou-se obras que fossem urgentes e contundentes na sua especificidade.

Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã (Coletivo Carcaça de Poéticas Negras), Domínio Público (Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz), Epidemia Prata (Cia Mungunzá de Teatro) e Tom na Fazenda são exemplos de trabalhos presentes nesta edição e que perpassam temáticas latentes como violência, censura, racismo, homofobia e repressão.

Para além da produção do eixo Rio-São Paulo, também integram a programação do Festival companhias de Minas Gerais, Amapá, Bahia, Piauí e Santa Catarina, apresentando resultados de diferentes pesquisas e realidades de produção. França, Gana, Irã, México e Bolívia compõem o programa internacional com obras contemporâneas que dialogam com outras áreas artísticas.

Com três espetáculos na programação – agbanWu – [Velório] – [Lying in State], dZikudZikui-aBiku-aBiikus – [Nascido Depois do Nascido-Morto] – [Born to death-born to die] e Strikethrough – [Tachado] – a artista Va-Bene Fiatsi, de Gana (África), propõe uma reflexão sobre nossas contribuições, ações e inações em relação à violência humana, discriminação, ódio, preconceito, nossas vulnerabilidades e mortalidade. Já Hearing – [Escuta], do Irã, traz à cena dois tempos diferentes, o da inocência infantil e o da reflexão sobre o olhar passado.

Os bolivianos do Kinteatr apresentam Romeo y Julieta de Aramburo, uma versão nada sonhadora da versão original de Shakespeare, mas que denuncia o patriarcado ainda reinante na Bolívia. Por favor cierra la puerta, gracias [Por Favor Feche a Porta, Obrigado], do grupo mexicano Vaca 35 Teatro apresenta um teatro-documentário propondo um passeio por Juarez, cidade mexicana que faz fronteira com os Estados Unidos, suas histórias e seus fantasmas.

Criada em 2017, a categoria Cena Rio Preto se mantém no FIT como fomentadora da produção teatral local. Companhias, artistas e coletivos residentes em Rio Preto foram selecionados em dois módulos de participação: Módulo A, que contempla apresentações de espetáculos prontos, e Módulo B, direcionado a obras abertas a provocações, que recebem orientações de profissionais convidados em formato de residência artística.

Graneleiro

Após ‘Elza’, a noite de abertura do FIT Rio Preto continua no Graneleiro, que será aberto às 22h. O espaço é o ponto de encontro do festival, proporcionando a troca de experiências entre artistas e público e estará aberto durante oito noites, com atrações para maiores de 18 anos, entre shows, performances e intervenções de diversas linguagens. A entrada é gratuita e é preciso retirar ingressos na Bilheteria do Complexo Swift, a partir das 15h. A capacidade é de mil pessoas por noite e não será permitida entrada de menores de 18 anos mesmo acompanhados dos pais ou responsáveis.

A noite de abertura começa com DJ Bepo, apresentando uma mistura de estilos como rap, trap, black music e samba. Na sequência, acontece a performance Triunfo, do artista transdisciplinar Tales Frey, que vive e trabalha entre o Brasil e Portugal.

Depois, haverá o show Mazzer-Ant-Art, com Simone Mazzer (Rio de Janeiro). No palco, o duo Ant-Art usa e abusa de recursos tecnológicos que se somam à voz e à interpretação de Mazzer. No repertório, clássicos da música pop e de outros tempos, composições inéditas e canções que se encaixam no conceito libertário de fazer arte.

O DJ Lord Breu, de Salvador/BA, fecha a noite, com um set que passeia por neotropicalismos, afrofuturismos e ritmos contemporâneos, eletrônicos e globais, influenciados diretamente pela cultura dos sistemas de som de todo o mundo. Durante toda a programação, o Graneleiro recebe a videoinstalação tiquetaqui, de Jef Telles.

Locais

Como nas edições anteriores, o festival leva sua programação a espaços não-convencionais. Além de apresentações no Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto, Teatro Municipal Paulo Moura, Teatro e Ginásio do Sesc Rio Preto e Teatro Waldemar de Oliveira Verdi – Sesi, serão ocupados locais públicos de grande circulação como Praça Rui Barbosa e a Represa Municipal, Parque Ecológico Danilo Santos de Miranda, Zoológico Municipal, entre outros espaços.

Ingressos

Para os espetáculos Adulto (Nacional e Internacional), os ingressos custam R$ 17, a inteira. Aposentados, pessoas com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor de escola pública pagam R$ 8,50; já trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo credenciados no Sesc e seus dependentes, classe teatral rio-pretense credenciada e participantes do FIT Rio Preto 2019, com crachá de identificação, pagam R$ 5.

Para a compra online, a venda é limitada a dois ingressos por pessoa para cada espetáculo. É necessário ter cadastro no Portal do Sesc para realizar a efetivação. O pagamento deve ser realizado com cartão de crédito e poderá ser retirado na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo, até um dia antes da atração, mediante a apresentação de um documento oficial.

Já para a compra presencial, os ingressos estão disponíveis na bilheteria do Sesc e poderão ser pagos e retirados na hora. O pagamento pode ser feito em dinheiro ou em cartão de crédito ou débito. O horário de funcionamento da bilheteria da unidade de Rio Preto é de terças a sextas, das 13h15 às 21h30; sábados, domingos e feriados, das 9h45 às 18h30. A compra também é de dois ingressos por espetáculo para cada pessoa (CPF).

Gratuitos

Dentro da programação do festival, 16 espetáculos têm entrada gratuita. Para as montagens da categoria Para Todos os Públicos – Inimigos, Mary e os Monstros Marinhos e Nerina – A Ovelha Negra – a entrada é franca. Os ingressos deverão ser retirados 1h antes da apresentação, no local.

O FIT Rio Preto também oferece outras obras com entrada gratuita, com apresentações em ruas, praças e outras áreas públicas, além de espaços alternativos. São elas: agbanWu e dZikudZikui-aBiku-aBiikus, da artista Va-Bene Fiatsi, de Gana; Cegos; Elza; |entre| ladeiras; Humalteridade; Imprudências Poéticas e Mão – Translação da Casa pela Paisagem.

Pelo Módulo B da Cena Rio Preto, Corpomáquina, Não Tem Véu, Nem Réu, Tem Revolução! e Teoremas serão apresentadas gratuitamente dentro da programação do Graneleiro. Vale lembrar que o Graneleiro terá um total de 26 atrações em suas oito noites, todas com entrada gratuita.

Encenada dentro de ônibus circular em movimento, a peça Os Minutos que se Vão c
om o Tempo também é gratuita. Para assistir, o espectador deverá adquirir a passagem do transporte coletivo, à venda na bilheteria do Terminal Rodoviário Urbano. A lotação ficará sujeita à capacidade do ônibus.

O público ainda poderá conferir gratuitamente a leitura dramática da obra Fiz bem?/J’ai bien fait, texto da dramaturga francesa Pauline Sales, que estará presente no festival, com tradução do dramaturgo brasileiro Pedro Kosovski. A leitura dramática será feita por Fabiano Amigucci, Simone Moerdaui, Glauco Garcia e Vanessa Palmieri, da Cia. Cênica.

FIT Rio Preto – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto
4 a 13 de julho de 2019. São José do Rio Preto – SP/Brasil
Realização: Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto e Sesc São Paulo

Abertura

Elza – Sarau Agência de Cultura Brasileira | Rio de Janeiro/RJ
4/7, quinta-feira, 19h30. Anfiteatro Nelson Castro (Represa Municipal)

Ficha técnica:

Elenco: Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Verônica Bonfim e a atriz convidada Larissa Luz
Musicistas: Renata Montanari (violões e cavaquinho), Flora Milito (bateria), Grazi Pizani (trompete), Marfa Kourakina (baixo), Neila Kadhí (programações, pandeiro e guitarra) e Lis de Carvalho (teclado e escaleta)
Direção: Duda Maia
Texto: Vinícius Calderoni
Direção Musical: Pedro Luís, Larissa Luz e Antônia Adnet
Arranjos: Letieres Leite
Idealização e Direção de Produção: Andréa Alves

FIT em números

34 obras, sendo 16 com entrada gratuita
60 apresentações, sendo 23 gratuitas
6 países
25 espaços
252 artistas (entre atores e técnicos)
26 atrações gratuitas no Graneleiro
160 postos de trabalho diretos e 500 indiretos

Da REDAÇÃO