Fim de gordura trans em alimentos deve reduzir 500 mil mortes por ano

A gordura trans, frequentemente, encontrada nos alimentos industrializados está com os dias contatos. A determinação para extinguir o componente das prateleiras é da Agência Nacional de Vigilância Ambiental (Anvisa), com data limite até 2023.

As empresas de alimentos terão um período para se adaptarem à nova norma e deverão seguir duas etapas, a primeira consiste na adaptação da indústria em produzir alimentos no máximo 2% de gorduras trans sobre a quantidade total de gorduras contidas no alimento, nesta etapa o prazo estabelecido se estende até 1º de julho de 2021.

Dhoje Interior

Após este período, as empresas terão que extinguir o componente com o prazo até 2023, em caso de produto importado as regras são as mesmas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a retirada deste componente deverá evitar, aproximadamente, 500 mil mortes por ano. A gordura trans também conhecida como gordura vegetal hidrogenada é utilizada para aumentar o prazo de validade dos alimentos industrializados e deixá-los com um aspecto melhor.

O processo químico da gordura trans é composto por óleos vegetais líquidos que são transformados em gordura sólida com o uso de hidrogênio, quanto maior a quantidade de hidrogênio mais consistente fica a gordura.

O médico especialista em nutrologia e longevidade, Ivan Togni Filho, explica que o consumo de alimento com gordura trans aumenta o risco de colesterol entre outras doenças que podem até ocasionar a morte.

“Esse ingrediente pode causar risco à saúde da população, como aumento do colesterol ruim (LDL) no organismo e a redução do colesterol bom (HDL), aumentando assim o risco de problemas cardiovasculares e de morte por essas doenças”.

Segundo Togni, a obesidade é uma das doenças que pode surgir a curto prazo devido ao consumo deste tipo gordura.

“A gordura trans pode causar diversos danos à saúde. A curto prazo, o dano mais comum é a obesidade. A longo prazo, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, doenças no fígado e no sistema nervoso central. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de gordura trans acima de 1% do valor energético total que uma pessoa ingere, diariamente, já aumenta de forma significativa o risco de desenvolvimento e morte por doenças cardiovasculares, principalmente as que atingem os vasos sanguíneos do coração”.

O alerta serve também para pessoas que consomem gordura trans de maneira esporádica e acham que não faz mal.

“Não se tem uma medida segura para ingestão de gordura trans. Então, mesmo quem consome de maneira esporádica, a longo prazo acaba tendo um prejuízo crônico. Por isso, o recomendado é evitar ao máximo o consumo desse tipo de gordura. Uma dica é ficar atento às informações nutricionais dos rótulos, ver os ingredientes e o modo como o alimento foi preparado, mesmo quando a embalagem diz “0 gordura trans”, finaliza o médico.

 

Por Mariane DIAS