Fibromialgia: transtorno atinge 37% da população

A fibromialgia é a maior causa de dor crônica no Brasil, e o motivo, pode estar bem na palma da mão. O consenso acreditava que a fonte de dor era o cérebro, mas estudos recentes mostraram que, na verdade, a dor vem do excesso de fibras nervosas sensoriais nas mãos. Atualmente, 37% da população brasileira convive com algum tipo de dor crônica, segundo a (SBED) Sociedade Brasileira Para Estudo da Dor. A descoberta pode levar a novos tratamentos e talvez até mesmo a uma cura total no futuro. Um alívio para milhões de pacientes. A doença é um transtorno de dor crônica generalizada que traz grandes impactos na qualidade de vida do paciente. Em alguns casos, até um abraço pode doer. É como se o sistema cerebral que regula a dor ficasse supersensível aos estímulos externos. Embora a doença seja mais comum a partir dos 35 anos, também há casos em pessoas mais jovens e, até mesmo, em crianças a partir dos 4 anos e adolescentes.
A fibromialgia é um as principais causas, respondendo por mais de 10% dos diagnósticos médicos. Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas no Brasil têm fibromialgia, com predomínio do sexo feminino, principalmente entre os 35 e 44 anos. A dona de casa Maria Isabel Caetano, 48 anos, descobriu a doença há oito anos. “Sentia muitas dores frequentes no corpo inteiro”, conta. Mas, depois que começou a fazer acompanhamento e usar medicamentos sentiu melhoras. “À noite, tomo de quatro a cinco comprimidos e de manhã a mesma coisa”, explica.
A aposentadora Leda Maria de Souza, de 69 anos, também descobriu que tinha fibromialgia. Ela passou por vários médicos e enfrentou dificuldade para o diagnóstico certo da doença. “Dez anos eu fiquei, ia de um hospital passava medicamento outro, achava que fosse outra coisa”, diz. Segundo a aposentada, depois que começou o tratamento ela tem se sentido melhor. “Não é qualquer medicamento que tira a dor, já faz uns seis meses que comecei o tratamento, graças a Deus melhorei, estou conseguindo dormir”, conta.
A médica fisiatra Regina Chueire, do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de Rio Preto, explica que a fibromialgia é uma doença crônica, que atinge mais mulheres e os sintomas podem persistir por até três meses. “É uma dor crônica difusa, associada a sono leve, a pessoa escuta o cachorro latir, o portão bater, muito estresses, distúrbios gástricos associados que atrapalham muito e até outras alterações que o paciente pode apresentar”, ressalta. A fibromialgia é uma das principais causas, respondendo por mais de 10% dos diagnósticos médicos. “Nós temos que ter uma equipe multidisciplinar focada nesse paciente pra tirar alterações psicológicas, fazer exercício físico, que aumente a produção de endorfina, sem precisar tomar muitos medicamentos”, orienta a médica.  Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas no Brasil têm fibromialgia. E para descobrir a doença é importante um diagnóstico detalhado. “Basicamente o diagnóstico é feito com uma conversa, a gente vai colher vários dados e um bom exame físico também. O exame de sangue, imagem, ressonância e radiografia são complementares. É todo esse conjunto que a gente consegue fechar e dar o diagnóstico de fibromialgia”, finaliza a médica fisiatra Isabela Chueire.

 

Como foi feita a pesquisa
Para resolver o mistério da fibromialgia, os pesquisadores concentraram a atenção na pele da mão de uma paciente que tinha uma falta de fibras nervosas sensoriais, que causavam uma reação reduzida à dor. Eles então pegaram amostras da pele das mãos de pacientes com fibromialgia e, foram surpreendidos ao encontrar uma quantidade extremamente excessiva de um determinado tipo de fibra nervosa.

Anteriormente, os cientistas pensavam que essas fibras fossem apenas responsáveis por regular o fluxo de sangue, e que não desempenhassem qualquer papel na sensação de dor, mas agora eles descobriram que há uma ligação direta entre estes nervos e a dor corporal generalizada. A descoberta também pode resolver a questão persistente de porque muitos doentes têm mãos extremamente dolorosas, bem com outros “pontos sensíveis” em todo o corpo, e porque o tempo frio parece agravar os sintomas. Além de sentir dor profunda generalizada, muitos pacientes com fibromialgia também sofrem de fadiga debilitante.

A pesquisa foi liderada pelo neurocientista Frank Rice, professor do Departamento de Ciências Biomédicas da Universidade Estadual de Nova Iorque, bacharel em Biologia pelo Lebanon Valley College e doutor em Anatomia pela Universidade Johns Hopkins.

Por: Harley PACOLA

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS