Falta de amamentação aumenta risco de morte entre bebês

Paciente Carolina Sereni, com a enfermeira Miriam. Foto: Assessoria HB

Durante o mês e agosto, mais de 170 países realizam ações com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância de todos contribuírem para garantir às mães a prática do aleitamento materno.

Em Rio Preto, a semana de 5 a 9 de agosto foi de palestras e simpósios, em comemoração à campanha mundial. A importância do ato, tanto para a mãe quanto para o bebê, já é preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade mostra que 33% dos recém-nascidos que não foram direto para o peito de suas mães na primeira hora de vida (Hora Dourada) apresentaram maior risco de morrer do que os que receberam o alimento.

A enfermeira do Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto, Miriam Mainarte, fala sobre a importância do aleitamento materno não só para o bebê, mas também para a mãe.

“O leite tem inúmeras composições que favorecem a saúde da criança, mas também beneficia a mãe. Começando pelo bebê, o leite materno é rico em vitaminas, sais minerais e anticorpos. Então, ele possui vacinas naturais que protegem o recém-nascido contra inúmeras infecções, além de reduzir a mortalidade infantil. Já para a mãe existe o benefício de prevenir as hemorragias no período pós-parto. Toda vez que o bebê mama, ele envia um sinal para o cérebro, pelo reflexo da sucção, para que o útero da mãe se contraia”, destaca a enfermeira.

O leite materno, de acordo com a OMS, deve ser o único dado aos bebês até os seis meses de vida pelo alto valor nutricional e por ajudar a diminuir o risco de doenças como a hipertensão, diabetes e obesidade. Após completar seis meses, recomenda-se que o aleitamento continue até pelo menos os dois anos associado a uma alimentação complementar.

Mirian explica que as mamães precisam estar atentas a cada mamada e esvaziar totalmente uma mama e só depois trocar o bebê de lado.

“O que nós orientamos, e que às vezes as pessoas desconhecem, é que nós temos o primeiro leite que é o leite rico em água e se parece com água de coco. Esse leite hidrata o bebê, mas ele não é rico em gordura. Por isso, é importante esvaziar uma mama e só depois trocar, já que o segundo leite produzido pela mãe é rico em gordura e será o responsável pelo ganho de peso do bebê. Por isso muitas mães acabam dizendo que a criança não ganha peso, por conta da troca precoce de mamas”, orientou.

Carolina de Souza Sereni deu à luz no HCM e recebeu todas as orientações para evitar problemas com a amamentação. “As dúvidas são inúmeras quando temos o nosso primeiro filho. Aqui aprendi a forma correta de colocar a boca do bebê no peito para evitar problemas como rachaduras e outras intercorrências que poderiam me desestimular durante o aleitamento”, disse a paciente.

Segundo Miriam Mainarte, a mama que estiver fissurada deve ter um tempo máximo de sucção de 15 minutos, com o intuito de não permitir que o recém-nascido adormeça no peito ou desenvolva a sucção ineficiente, retardando a cicatrização da fissura.

“É indicada a suspensão temporária (24 horas a 48 horas) da amamentação na mama com mamilo fissurado, caso a mãe tenha muita dor. Neste caso, fazer extração manual do leite e expor a mama ao sol pela manhã ou à tarde, por cerca de 10 minutos é recomendado”, frisou.

A concha mamilar é também uma opção de tratamento, por manter o mamilo aerado e sem a compressão do sutiã ou de protetores comuns, favorecendo a integridade da pele.

HCM tem grupo de apoio para mães

O HCM de Rio Preto possui um grupo de apoio à amamentação com o objetivo sensibilizar toda a equipe de enfermagem para a importância do aleitamento materno, visando promover e incentivar o aleitamento exclusivo de leite humano e também auxiliar aos pais e aos recém-nascidos internados nos alojamentos conjuntos do hospital.

Outras ações em que o grupo contribui são: auxiliar as mães que iniciam a amamentação e apresentam dificuldades no manejo da mamada; sensibilizar os acompanhantes e familiares sobre a importância do apoio e incentivo ao aleitamento materno.

Conheça as oito razões indiscutíveis para o aleitamento materno:

1) O leite materno é o alimento mais completo e equilibrado para o bebê até os 6 meses de idade.

2) Fácil de ser digerido, provoca menos cólicas.

3) Colabora para a formação do sistema imunológico da criança.

4) Contém uma molécula chamada PSTI, responsável por proteger e reparar o intestino delicado dos recém-nascidos.

5) Previne a anemia.

6) A sucção colabora no desenvolvimento da arcada dentária do bebê.

7) Protege a mãe contra o câncer de mama e de ovário.

8) A amamentação dá às mães a sensação de bem-estar, de realização, e também ajuda a emagrecer, pois consome até 800 calorias por dia.

Por Jaqueline BARROS

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