Exposição “Naïf, mas nem tanto” é aberta ao público

Obras do Museu de Arte Naïf passaram por curadoria e foram organizadas em recortes que destacam talentos rio-pretenses no estilo

A Exposição “Naïf, mas nem tanto” já está aberta à visitação do público no Centro Cultural “Prof.º Daud Jorge Simão”. Promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, a mostra teve o olhar curatorial de Ricardo Resende, Aracy Amaral e Paulo Portella, num recorte da coleção do Museu de Arte Naïf de Rio Preto.

Dhoje Interior

A exposição, que foi aberta com um vernissage na noite da última segunda, 02/03 fica no local até o dia 17/04. A visitação acontece, com  monitoria, e pode ser feita de segunda a sexta, das 8 às 18h e aos sábados das 8h às 14h. Grupos e escolas podem agendar visitas pelo telefone (17)32022313.

Arte Naïf

A Arte Naïf já foi definida como ingênua, por não ser acadêmica. O termo foi, pela primeira vez, utilizado para identificar os trabalhos de artistas autodidatas, onde estes superam as dificuldades técnicas e criam uma linguagem inédita, pessoal e singular. Por meio da Arte Naïf, expressam com liberdade temas da vida cotidiana, memórias e emoções.

A cidade é reconhecida como um celeiro da Arte Naïf, assim como o Museu que leva o nome de José Antônio da Silva, tido como um dos maiores artistas autodidatas do Brasil e do mundo no estilo.

Naïf, mas nem tanto

A Exposição “Naïf, mas nem tanto”, foi pensada em três momentos: Recorte I- “Ceia dos pintores primitivistas de Rio Preto” que traz o trabalho emblemático e documental da cena artística da cidade, no qual estão representados Daniel Firmino, Olinda Silva, Deisy Araújo, Waldrix, José Antônio da Silva, o autor (Edgard di Oliveira), Deraldo Clemente, Orlando Fuzineli e Florêncio Duarte;  Recorte II -Da Coleção com um recorte dos curadores, composto por 29 obras, construídas em linguagens singulares e expressões de sensibilidades, vivências e memórias pessoais de  18 artistas, da coleção do Museu de Arte Naïf e o Recorte III, com a  Sala Especial Zico Seixas.

Zico Seixas

Em meio aos artistas que privilegiam como tema os afazeres lúdicos e/ou a contemplação da vida cotidiana, os curadores se impressionaram com o trabalho de Zico Seixas (Santa Fé do Sul/SP 1958 – São José do Rio Preto/SP 2011).

Zico Seixas desenvolveu seu talento tardiamente. Aos 47 sofreu três derrames, que deixaram o lado direito do corpo paralisado, teve perda da voz e da visão esquerda e a partir daí passou a se expressar por meio da pintura. São 15 telas do artista que causaram um forte impacto na comissão curatorial, por sua singularidade, contundência temática e pictórica, e que provocou um estudo de caso e texto da Profa. Dra. Aracy Amaral. “Distante dessas temáticas usuais, este criador de carreira bastante breve nos projeta um universo mental e doloroso, que comunica através da pintura. Introvertido, indiferente ao meio prospero que o rodeava, trouxe à tona possivelmente seu sofrimento individual como ser humano. Embora a paisagem ou interiores sejam sua temática usual, o tratamento e o cromatismo de suas telas passam forte impressão no observador. Personagens enigmáticos – um ou dois – frontalmente nos encarando em primeiro plano, olhos fixos no espectador, surgem sempre compostos de forma sintética. Há em Seixas algo que nos aproximaria talvez do clima depressivo do norueguês Edvard Munch”, escreveu Aracy sobre a obra de Zico.

Museu Municipal

A exposição “Naif,  mas nem tanto” dará início à proposta museológica, que reunirá   as coleções dos museus de Rio Preto em uma única instituição, o “Museu Municipal de São José do Rio Preto”, localizado no 2º piso do Centro Cultural “Prof.º Daud Jorge Simão”; onde serão salvaguardados os acervos dos museus Histórico, Salas Especiais, Pinacoteca e Naïf.

A proposta tem como objetivo: otimizar a gestão das coleções, dinamizar as exposições com novas leituras dos acervos e projetos expográficos adequados às necessidades de cada mostra; promover projetos de comunicação que irão além de seu espaço físico, além de projetos educativos e de pesquisa.

O Museu de Arte Primitivista José Antônio da Silva-MAPJASilva, será ampliado e passará a ocupar todo o prédio da rua Voluntários de São Paulo, esquina com a rua Saldanha Marinho, antes dividido com o Museu de Arte Naïf, possibilitando assim a transferência definitiva das esculturas do artista para o espaço ampliado.

Curadores

A curadoria da Exposição foi composta por três dos maiores nomes brasileiros em curadoria, crítica e pesquisa de artes plásticas: Aracy Amaral, crítica e curadora de arte, que já foi diretora da Pinacoteca do Estado e do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e membro do Comitê Internacional de Premiação do Prince Claus Fund, em Haia, na Holanda; Paulo Portella, artista plástico, educador e museólogo que implantou e coordenou Serviço Educativo do MASP e foi responsável pela criação e instalação do Ateliê do MASP; e Ricardo Resende, mestre em História da Arte, atual curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, e da Fundação Marcos Amaro, em Itu (SP), além de ser responsável pela Direção Artística da Galeria Kogan Amaro, em São Paulo.

Serviço:

Horário de visitação: segunda a sexta-feira das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 14h.

Local: Centro Cultural “Prof.º Daud Jorge Simão”

Endereço: Praça Leonardo Gomes – 01 – Centro (saguão do prédio da Biblioteca Municipal) ao lado do novo Terminal Urbano.

Agendamento para visitadas monitoras (para grupos): 3202-2313

Entrada gratuita

OBRAS : EXPOSIÇÃO NAIF, MAS NEM TANTO

Recorte I- Ceia dos Pintores Primitivistas de Rio Preto:

-Edgard di Oliveira – Ceia dos Primitivistas de Rio Preto – 80X120 cm – acrílica sobre tela – 2007

Recorte II- Da Coleção:

-A.Dias – Sem título – 64X65 cm –  óleo sobre tela – sem data

-Celo – Sinhá Moça –  40X60cm – óleo sobre tela – 2016

-Dayse Araújo – Colônia Abandonada  – 70X111cm – óleo sobre tela – 1982

-Edgard Calhado – Entardecer óleo sobre tela– 42 X 62 cm – 1971

-Euclides Coimbra – Um Pedaço de Minas (Milagres) – 48X59 cm – óleo sobre tela – 2008

-Dirceu Carvalho – Juca Mulato – 48X62,5 cm – óleo sobre – 1973

-Daniel Firmino – Meio Ambiente. Rio Tamanduateí  – 80X100 cm – óleo sobre tela – 2006

-Deraldo Clemente – Vida na Roça – 50X70 cm – óleo sobre tela – 2007

-IIma Deolindo – Bordel lI – 103X73 cm – óleo sobre tela – 2006

-Zica Bergami – Acampamento – 66X90 cm – nanquim sobre papel – 1985

-Maria Jerônima –Sempre Viva – 62X52 cm – óleo sobre tela 1982

-12 Isabel de Jesus – Coruja – 62X42 cm – óleo sobre tela – 1972

-Neuton Andrade – Nossa Senhora Aparecida – 68X46 cm – óleo sobre tela – 1965

-Orlando Fuzineli – A Lenda do Pássaro Azul- 120X150 cm – acrílica sobre tela – 2006

-Silviano Cerqueira – Os Tropeiros – 57X77 cm –  óleo sobre tela – 1985

-Teresinha Bilia – E agora José? –  50X70 cm – óleo sobre tela – 2010

-17 Waldomiro de Deus – São Sebastião

49X36 cm – óleo sobre tela – 1972

-Rocha Maia – Cai fora que o coroné chegô em casa de marquesa – 59X79 cm – mista sobre duratex – 2008

Recorte III-  Sala Especial Zico Seixas:

-Zico Seixas – sem título –- 50X60cm – óleo sobre tela -2010

-Zico Seixas – sem título – 50X60cm – óleo sobre tela -2009

-Zico Seixas – sem título – 50X60cm – óleo sobre tela- 2005

Da REDAÇÃO